

Já “Branco Leone”, coitadinho…
Isso prova que, por mais idiota, infrutífero, cansativo e enervante que seja produzir, divulgar e vender Literatura Independente numa nação (em breve, num mundo) de analfabetos funcionais (não sei onde eles funcionam, mas é assim que eles se chamam), isso acaba valendo mais do que ser blogueiro. Resta saber o que o Google acharia de mim se eu fosse blogueiro.
Pontualidade britânica.
Neutralidade suíça.
Melancolia portuguesa.
Aspereza espanhola.
Desordem italiana.
Perfume francês.
Disciplina japonesa.
Jeitinho brasileiro.
Peido alemão.
Cobrir a retaguarda – (1) Ch. Enrabar.
Quando eu era moleque, a expressão “serrar um cigarro” tinha um significado completamente diferente.
Num truque de mágica, há o mágico, o baralho e o espectador. O mágico usa o baralho para fazer o truque e enganar o espectador. E o espectador sorri. Mas, e quando o mágico faz o truque e engana… o baralho? Ou quando o espectador percebe que é o próprio baralho? Ainda é truque? Será que nós todos temos mesmo a Música em estado sólido dentro da cabeça? Assista Bob McFerrin no World Science Festival 2009 e conclua.
Dica do bróda Alexandre Pavan, que não se dá ao desfrute em caixas de comentários, mas que usa o e-mail como ninguém.
Comprei uma gaita.
Pois este contrabaixista de domingo, afeito ao rock e ao rhythm’n'blues, de Led Zeppelin a Pearl Jam passando por Tom Waits e Adoniran Barbosa, baixou um disco do Paulinho da Viola. Samba da melhor qualidade, a voz mais chique da música brasileira e uns cavaquinhos não menos lá por detrás.
Cavaquinho… Um violão com deficiência na tireóide, tadinho, seu tamanho inspira o cuidado que sentimos pelas crianças e por outros tipos de deficiente. Quatro cordas, cavaco e contrabaixo… Um com voz fininha, saltitante, de mosquito; o outro, vozeirão de trovoada. Tocar os dois valeria de muita coisa, incluindo a piada.
Tenho amigos no ramo. Falei com um e com outro. Um se dispôs a ir comigo à Teodoro Sampaio escolher um bom e barato; o outro me emprestou o dele, pra fazer um test-drive.
Peguei o nanico e o trouxe para casa. Fofo. Mas… nem só de carinho vive a disposição para um instrumento. Aquilo é um suplício. É botar o cavaquinho em posição e tentar acompanhar alguma música, sinto-me um Gulliver com paralisia cerebral. É como ter que cuidar de cem crianças hiperativas, duzentas ratazanas esfomeadas, é como retirar os espinhos do ouriço que perdeu a briga com o macho-alfa do bando de ouriços, ou tudo isso ao mesmo tempo. E rápido! Muito rápido!
Adeus, cavaquinho! Duas horas. Foi o tanto que durou minha carreira no instrumento. Volto ao meu bom e velho contrabaixo. Pesadão. Lento. Grosso. Feito eu. Tá, não como ninguém, mas estou no lucro.
Em tempo: Sim, este blog está parado. Agora você entendeu por quê?
Soube pelo Biajoni que o amiguinho Brigatti escreveu há tempos um tratado sobre a reprodução e o acasalamento dos Baixistas, essa espécie desconhecida e que, por motivos óbvios, encontra-se a caminho da extinção.
Quase tão bons quanto o texto são os comentários dos Defensores de Alguma Coisa (*), animais que hoje, graças à Internet, proliferam-se como ratos e tem por principal característica a incapacidade de identificar uma piada. Não seria preciso que a entendessem; bastaria que pudessem identificá-la. Mas isso, como se sabe, é algo que só acontece na estratosfera do pensamento humano, isto é, em altitudes superiores a QI 30.
(*) Neste caso, a subespécie dos Defensores dos Contrabaixistas.
Ando estudando. Fiando-me nos mestres. O Tube taí pra isso. Com vocês, Jaco Pastorius tocando Birdland com o Weather Report. Um dia eu chego lá. Mas com uns quilos a mais. E sem a faixa no cabelo. Por falta de cabelo, é claro.
Pra quem não conhece, este é John Francis Anthony Pastorius III, ou apenas Jaco Pastorius (01-12-1951 / 21-09-1987). Nasceu baterista, quebrou o pulso jogando bola, teve que virar baixista. Arrepiou de ponta a ponta, e morreu com um murro bem dado pelo gerente de uma casa noturna que não gostou de suas palhaçadas. Ninguém conta a história daí pra frente, mas eu sei que o tal gerente também quebrou o pulso quando lhe deu o murro, teve que mudar de profissão, e hoje ganha a vida testando termômetros retais veterinários, o filho da puta.
Chamava-se Ceci. Era linda, delicada, tinha longos cabelos lisos, olhos verdes e um rosto muito branco. Eu a via andar pela casa como se a casa lá não estivesse, e penso hoje que não estranharia se, um dia e sem aviso, ela atravessasse uma parede ou brotasse de uma porta fechada. Era como um fantasma, a imagem mais próxima que consigo fazer de um anjo da guarda. Ceci não ria e nunca estava séria: sorria. Nunca a vi em hora que não estivesse sorrindo. Sorria o sorriso dos que entendem. Sentava ao nosso lado e nos assistia como se fôssemos um filme. Não falava conosco, mas seu silêncio não dizia que não merecíamos suas palavras. Ela apenas nos assistia, nós éramos um filme, e era como se nós também não estivéssemos ali.
Quando alguém queria tratá-la com respeito, lograva dispensar o apelido e a chamava de Cecília. Ela não se importava com isso. Sequer tomava conhecimento: era completamente surda.
Ser fumante, hoje, é mais ou menos como ser preto. A diferença é que você pode deixar de ser.
Atualização: A Cynthia falou um pouco mais sobre o assunto. Agora que está escrito, é fácil falar: era exatamente isso que eu queria dizer!
Veja bem. Eu adoro quando alguém começa uma conversa dizendo veja bem. É límpido, claro como água: vai vir enrolação. Conversa de vendedor de carro velho, imóvel à beira da desapropriação: – Veja bem… Mas não vou enrolar você. Vou explicar. Ser claro. Note que o veja bem que enrola tem reticências. O meu não tem. Você merece o cuidado. Mas sabe o que é? Já disse isso, não disse? Pois é, disse no título. Veja bem. Ah, de novo? Não, não de novo. Tá bom, é o seguinte.
Quase cinquenta anos juntando coisas. Pior, quase cinquenta anos juntando coisas com muito afinco. Muito afinco. Outro dia, olhei em volta e vi: um apartamento de quase cem metros quadrados (dois para cada ano, é verdade, mas isso não faz nenhuma diferença, não é disso que vou falar)… me perdi. Onde eu estava? Ah: quase cinquenta anos juntando coisas, e comecei a achar que as coisas estavam tendo mais importância que eu. Sim, porque se a coisa ocupa um espaço que eu queria livre, me diga, sim, você: me diga quem manda? A coisa ou o dono da coisa? Pois então, comecei a jogar tudo fora. Quem manda sou eu. Comecei a jogar tudo fora, não como as pessoas normais fariam (pela janela, aos berros), mas como homem cordato e levemente maluco que sou. Pois então, fui jogando tudo fora. Aos poucos. Livros inúteis. Caixas inúteis. Roupas inúteis. Tralha inútil. Percebeu que eu fiz uma lista e não disse enfim? Eu odeio quando vejo um enfim no fim de uma lista. Coisa irritante. Enfim é o caralho. Mas voltemos ao assunto. Joguei fora também uma mapoteca. Sabe o que é uma mapoteca? É grande. Procure no google. Achou? A minha era maior. Pois então. Rua. Discos também. Tudo pro sebo. Um real cada um. Mais de trezentos. Haja disco. Haja saco pra tanto disco. Mais de trezentos. Ainda tem mais de cem aqui, esperando as costas pararem de doer pra eu levar mais uma remessa pro sebo. Sim, são LPs. Pesam. Muito. Ficaram alguns. Fui separando os que não quis passar pra frente por algum motivo. Sobraram uns Beatles, uns Jethro Tull, uns Pink Floyd, uns Led Zeppelin, uns Queen, um Deep Purple. Só um. Fiz mais uma lista sem enfim. Reparou? Quanto aos discos que ficaram, só percebi depois, todos ingleses. Sei não, mas tudo indica que prefiro rock inglês. Foi-se a tralha velha, começou a sobrar espaço pras coisas novas: comecei a estudar música. Na verdade, recomecei, se considerarmos que eu tinha parado há 25 anos. Teoria e instrumento. Teoria é chata mas faz bem. A vida está cheia de coisas assim. Teoria, passo horas cantarolando tá-tá-tá batendo a mão na coxa. Deprimente. Depois, digitação. Mas não é uma flauta doce. É um contrabaixo. Digitar um contrabaixo elétrico dói. Doem os dedos, cotovelos e um ombro. Não me lembro qual. Mas dói. Estranhamente, é bom. Além disso, resolvi fazer um regime. Cem quilos é foda. Já pesei 113 mas, hoje, cem é muito. Rumo aos noventa. Dia desses, ainda paro de fumar. Fazer ginástica? Veja bem… Além disso tudo, ainda ando assistindo a um filme por dia. Torrent, sabe? Pois então. E ainda tenho uns quarenta pra assistir, já baixados.
Então, viu só? Arrumando a casa, me livrando do lixo, estudando música, assistindo filmes. Escrever? Pois é, faz falta. O blog? Não, o blog não faz. Mas eu estou aqui. Bem. Apesar da dor nas costas. E não reclame. Escrevi alguma coisa, não escrevi?
— Opa!
— E aí?
(…)
— Tudo bem?
— Tudo.
(…)
— Chove hoje?
— Ô!
(…)
— Cê tem um blog, não tem?
— É…
(…)
— Faz tempo que você não escr…
— Meu ônibus chegou, vou nessa.
(…)
Foi bater às portas da morte, para descobrir depois que vinha com o endereço errado.
Numa das primeiras aulas de Marketing que tive (não é preciso me xingar por isso, eu mesmo o faço todos os dias, obrigado), a professora trouxe um causo para ilustrar a aula que, seja ficção ou realidade, foi bem contado e aprendido (tanto, que o estou repartindo agora, vinte e tantos anos depois). Disse ela que, certa vez, uma fábrica de chinelos de borracha resolveu descobrir porque não vendia nada que prestasse na Bahia. Uma pesquisa elucidou tudo: em terras baianas, quem usava o tal chinelo era mulher ou viado. Não se sabe por que, homem que usasse aquilo ficava por lá, para todo o sempre, com a pecha de boiola.
Tentando então aumentar as vendas na região mudando a imagem do produto, a agência se resolveu a um expediente que havia de se mostrar eficaz: contratou um lutador de boxe local, conhecido por seu caráter macho e atitudes violentas, e pôs no ar um comercial em que o tal sujeito aparecia usando os tais chinelos. Com efeito, a imagem foi mudada, porque daí em diante todo mundo começou a achar que o tal boxeador era viado.
Mas o assunto é outro. O Seu Obama chegou animado, foi não? Tão animado que, a cada nova notícia, aumenta meu temor por sua vida. Mataram o Kennedy por muito menos, e olha que o Kennedy era branco. Contrariando o ditado racista, a coisa que o homem mais faz é limpar a merda que o jumento anterior deixou espalhada pelo mundo. Agora, uma semana depois de empossado, o cabra passa a mão no telefone e, já que se anda falando tanto de combustíveis menos poluentes, liga pra Mr. Lula, presidente do país que usa álcool como combustível há pelo menos 34 anos. Esperto, o moço percebeu que não se joga fora 34 anos de tecnologia. Mesmo que seja tecnologia brasileira. O que vai sair disso, não sei. Mas que o homem tá fazendo diretinho, ah, isso está.
Pois então, hoje de manhã, os sites d’O Globo, d’O Estado e do Terra davam, em letras tão garrafais quanto a Internet permite, a notícia do telefonema. O site da Folha, bem… a notícia estava bem lá em baixo, em letrinhas de bula, sabe como é, papai não deixa encher a bola dos oponentes. Capaz que a Veja desta semana imprima a notícia numa folha à parte e se esqueça de encartar na edição.
Agora é questão de tempo para que Obama fique — ao menos para os paulistas — com fama de cachaceiro, corrupto e analfabeto.
Acaba o filme. Como é costume, minha mulher faz sua análise concisa:
— Que bosta…
— Ah, nem tanto. — discordo — O cara fez roteiro, produção, fotografia e direção. Isso tem algum valor.
— Tem. Dava pra matar todos os culpados com um tiro só.
Kogai por nus?? Ou pornôs?
(Samuér no estado Rio de Janeiro)
Currículo.
(Eunápolis-BA)
O que dizer disso?
(Ilhéus-BA)
Fineza não limpar o pé no cachorro.
(Itapuã, Salvador-BA)
O gargarejo profilático de Seu Françuel. Com cachaça, claro.
(Nordeste de Itaigara, Salvador-BA)
(O nome do bairro foi alterado, por motivos de segurança, a pedido do retratado. Mas a camiseta do Flamengo permanece. Como diria Dickens, “Go figure”.)
Temos feito viagens à Bahia regularmente, sempre na mesma época, desde o raiar do corrente século. Da primeira vez, o trajeto foi apenas de volta, porque nosso carro havia sido comprado em Salvador, e o viemos estreando na estrada. Depois disso, temos ido e voltado praticamente em todos os anos, sempre na mesma época, cruzando os mesmos estados (São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia na ida, o contrário na volta).
Nessas viagens, a parte mais interessante tem sido poder estudar ao vivo todas as Geografias — Política, Física, Social, Cultural —, os planaltos que vão virando serras, os sotaques se transformando, a variação da temperatura e da umidade, os pastos e plantações, o mangue, o semi-árido, a Mata Atlântica que ainda resiste aqui e ali, a importância econômica de cada região, a arquitetura, as raças, a culinária, e mesmo a involução do pãozinho francês, cuja qualidade vai diminuindo a cada quilômetro rodado, até descambar, em Salvador, num troço tão comestível quanto uma sandália havaiana que, pra piorar, ainda se chama ‘cacete’ ou ‘vara’ (e os soteropolitanos que não me venham falar da Perini, porque um carcará só não faz verão). Tudo muda muito, e não é de estranhar que isso aconteça, porque essa distância, se percorrida na Europa, faria o viajante cruzar até seis países de línguas e culturas totalmente diferentes. Aqui, ao menos a língua é (quase) a mesma.
Mas há uma coisa que une todos os povos deste país: a mandioca. Por onde se passe — e não apenas neste trajeto, mas do Oiapoque ao Chuí, via Lapa ou pelo Acre —, sob qualquer clima, topografia, sotaque ou poder aquisitivo, a mandioca está lá, na beira da estrada. Sua presença é tão marcante, sua importância na culinária é tão significativa, que cheguei a criar esta nova bandeira para o Brasil, muito mais representativa de nossa terra do que a toalha de mesa que se usa atualmente. E se alguém achar que a folha de mandioca se parece com a da maconha, bem, a bandeira atual exibe um insólito “Ordem e progresso”, e ninguém diz nada.
Numa viagem desse tamanho, é natural que aconteçam pequenos incidentes, e eles sempre têm provocado interessantes alterações no trajeto. No ano retrasado, por exemplo, o rio Paraíba, cheio como nunca por causa das chuvas, destrambelhou a então única ponte disponível em Campos de Goitacazes – RJ. No desvio que fomos obrigados a fazer para subir 200 quilômetros de rio até a ponte seguinte, conhecemos um ótimo hotel-fazenda e uma excelente estrada que, para melhorar ainda mais, encurtava o trajeto em quase 100 quilômetros, além de nos permitir evitar uma das mais detestáveis cidades em que já tivemos o prazer de escarrar.
Já neste ano, o incidente foi o tal hotel-fazenda estar lotado. Por não conhecermos nenhuma opção decente num raio de 150 quilômetros, optamos por um pernoite em Cachoeiro do Itapemirim, terra de Rubem Braga e de Roberto Carlos, também um Braga, assim como qualquer sapataria, açougue, boteco, ponte, teatro ou puteiro da região. Família grande…
Nesse amálgama de povos e culturas tão distintas que vamos percorrendo, temos percebido que o estado do Espírito Santo não foi muito bem servido de características exclusivas: o sotaque é mezzo-mineiro mezzo-carioca, o prato típico é moqueca (que é tipicamente Nordestina, mas feita sem dendê no ES, o que não chega a ser uma característica), a cachaça boa é a mineira, e agora começamos a notar que até os nomes de alguns bairros da capital Vitória (linda, diga-se de passagem) são “importados”, como Itapuã e Itaparica (bairro e ilha em frente a Salvador), Garanhuns (Pernambuco), Muribeca (Sergipe), e por aí vai.
Mas Cachoeiro do Itapemirim me surpreendeu. Logo que cheguei à cidade, fui descendo para o centro, a fim de encontrar o hotel em que tinha feito reserva. No zunzum característico do fim de tarde no centro de qualquer cidade, procurando placas de rua (não vi uma sequer, puta merda!), fui ultrapassado por uma moto que, estranhamente, parou logo em seguida no meio da rua. Não custei a entender o motivo de semelhante manobra: o cabra tinha parado para que uma pessoa atravessasse a rua pela faixa de pedestres. No entanto, o sinal não estava fechado (sequer havia sinal), não havia um guarda que o mandasse parar, nem qualquer outro motivo além da prosaica presença do indefeso pedestre em frente à faixa. Pasmei, duvidei que fosse verdade porque só tinha visto isso em filme.
No entanto, uma hora depois, já instalado no hotel, desci para ir à padaria. Vi-me na calçada de uma rua em curva, sem visão do tráfego ao longe e, para piorar, num ponto da rua em que os carros passavam voando. Mas havia uma faixa de pedestres bem em frente ao hotel.
Lembrei-me então do acontecido e, assim como quem não quer nada (até para não passar vergonha se o expediente não funcionasse), pus-me em posição de travessia, primeiro timidamente (os carros continuavam a passar rápido, como se eu não estivesse ali), depois com mais atitude (não me pergunte o que fiz, mas passei a me sentir assim, com mais atitude), e a coisa começou a funcionar: um carro diminuiu a velocidade, parou antes da faixa, e depois outro, e mais outro, e eu, Moisés no Mar Vermelho, fui atravessando a rua sem cajado mas de boca tão aberta quanto a dele, e os carros foram parando, e eu atravessando a rua, cheguei ao outro lado e, assim como ele deve ter feito depois da façanha, virei-me para trás, olhei o rio de carros que voltara a correr e exclamei “Puta merda, não é que porra deu certo?”.
Na volta, repeti a façanha (Moisés, que eu saiba, só fez viagem de ida) e retornei à calçada de origem, onde tinha deixado minha trêmula mulher a balbuciar sua versão da Ave Maria, ignorante de orações que é.
Então eu, que costumo dizer que o Espírito Santo não tem nenhuma característica exclusivamente sua, digo agora, com conhecimento de causa, que ao menos Cachoeiro do Itapemirim tem uma, e das mais impressionantes para um paulistano: os motoristas param para que os pedestres atravessem a rua sem que ninguém os obrigue a isso! Essa sim, é uma característica que eu gostaria que constasse da bandeira nacional.
O corpo negro e grande de um velho rei d’Angola, os braços pálidos de um senhor de engenho: vitiligo.
