Pode me chamar de Branco. Branco Leone. É claro que isto é pseudônimo.

Não faço parte da sua turma, porque não faço parte de turma nenhuma. Não gosto de ajuntamentos, aglomerados, agremiações, sociedades, movimentos. Viver em bando é a maneira menos indolor de morrer. Nada de bom pode vir de um amontoado de gente. Por outro lado, todas as pessoas são interessantes quando isoladas das outras.

Tenho trabalhado cada vez menos com aquilo que, nos últimos 25 anos, chamei de “minha profissão”, o design gráfico. Ao mesmo tempo em que reduzo essa minha atividade, escrevo cada vez mais. No entanto, acredito que nunca vá chamar “escrever” de profissão. Não quero ser escritor. Quero escrever, o que, para mim, é muito diferente. Acho que ser escritor é para quem quer, não para quem pode. E eu não quero.

Participei de uma antologia publicada em 2003, tive uma peça de teatro encenada em 2005, dois livros independentes publicados em 2007 e 2008, três anos de contos numa revista, crônicas e textos de outros gêneros publicados em outros veículos, mais um monte de pequenas coisas feitas por aí, a maioria com letras.

Minha casa, meu blog e minha vida são ambientes em que não faz nenhuma diferença você ser gordo, preto, judeu, viado, puta, drogado, amarelo, milionário, loira, aleijado, velho, índio, muçulmano, branco, magro, analfabeto, mendigo, artista, autista, engenheiro, adolescente, fumante, árabe, barbudo, contador, mudo, advogado, perua, careca, criança, bêbado, pobre, cabeludo. Mas não queira, em nenhum momento ou situação, ser tratado com deferência por ser – ou por não ser – alguma dessas coisas. Querer ser tratado com deferência é a expressão maior da burrice. E eu não aguento gente burra.

Sou casado pela terceira vez. Da primeira mulher, ganhei dois filhos; para a segunda, perdi meu amor-próprio, mas depois o recuperei; com a terceira, sou feliz. Por mim, chega.

E tem mais: sou surdo do ouvido esquerdo, não pego estrada à noite, não assobio alto, não jogo lixo na rua, tenho medo de tudo, sei rir da desgraça alheia, não quero seu tempo, seu dinheiro, seu carinho. A única coisa que quero de você é saber que vive bem e longe de mim.

Quer mais? Então vem aqui e aqui.

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