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Independência é independência, seja na literatura ou em qualquer outro ramo, artístico ou não. No entanto, para ser independente, é bom ter de onde tirar dinheiro, porque essa liberdade toda nunca deu almoço pra ninguém. Mesmo assim, o mundo anda cheio desses doidos, uns mais escondidinhos, outros menos. Muitos já aprenderam a voar, cada um do seu jeito. E quando vejo algum desses decolando — e quando é meu amigo — a satisfação é maior.

Quando falamos de independência em vídeo, a coisa fica ainda mais complicada. Não dá pra fazer vídeo sem equipe. A idéia pode ser boa, pode ser que muitos tenham vontade de participar, mas todo mundo tem contas, e quando “equipe” começa a significar “um monte de gente que precisa de salário”, a coisa aborta no roteiro.

Mas há casos especiais. Amigos especiais, idéias especiais e — puta merda! — equipes especiais: equipes (atrizes e atores, fotógrafo, sonoplasta, assistentes, maquinistas, editores, e uma horda de gente bem disposta) capazes de ajudar a realizar uma boa idéia em troca de um prato de cuscuz (literalmente falando), por acreditar nela. Com isso, Hélio Ishii (também diretor do Psicopatas da Internet), Liana Naomi (Mina), Evelyn Matsuoka (Lisa), Luiz Miyasaka e um bando de Ogawas, Kamogawas e Yamamotos (entre outros brasileiros) estão conseguindo fazer uma série de vídeos sobre os problemas de “adolescer” quando se é japa.  Mais de 60 mil views em poucos meses. Projeto de um, alma de todos. Helinho — o samurai que conseguiu reunir (e manter reunida!) tão boa equipe debaixo de sua espada de cuscuz — merece os parabéns.

Para conhecer o trabalho deles no VideoLog do Uol, clique aqui.
No YouTube, é aqui.
E aqui, a imprensa começando a falar no assunto (tem outro link pro Estadão, mas não estou encontrando).

Só não me pergunte quem é a Mina, quem é a Lisa. Sei lá, ué! Japonês é tudo igual!

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“2001 Uma Odisséia no Espaço resumo”
(Veio ao lugar certo: aqui, as partes 1, 2 e 3. Fui eu que fiz.)

“96 horas sem fumar”
(Parabéns.)

“Abecedalho”
(Vide “Cabeçário”, abaixo)

“Acervo de fotos caseiras”
(Aqui.)

“Apresentação de um blog”
(“Muito prazer!”)

“Bazar do Valter”
(Porra, Valter, vai fazer um site ou não vai?)

“Blog do bairro de Moema”
(Conheço este. Bem, ao menos o autor mora lá.)

“Cabeçário”
(Vide “Abecedalho”, acima.)

“Cliparts pensativos”
(mmm… hein?)

“Como pesquisar frase corretas”
(Assim, não.)

“Como se chamam os colecionadores de guar”
(Guarfilistas.)

“Curso de pastor”
(De cabras? De ovelhas? Alemão?)

“Ditados nordestino”
(“Um jumento e um blog logo se encontram. Aqui.”)

“É bom ser baixinho porque”
(…o cu fica mais perto da boca.)

“Fotos de homens dando o cu”
(Cu não é tudo igual? Ah, tem uns cabelos, né?)

“Frase correta: não trabalho ao sábado”
(Corretíssima!)

“Hoialties”
(Uma decohência de copiháit.)

“O caso poltergeist de Suzano”
(Eu tinha esse livro! Será que joguei fora?)

“O que disse Lavoisier”
(Um monte de coisa, fofo!)

“O que fazer na segunda a noite”
(Não sei. Mas sei o que não fazer: buscas no Google.)

“Psicopatas Osvaldo Gonçalves”
aqui mesmo!)

“Qual a doenças causada por caixa dágua”
(Derrame.)

“Rasgar livros”
(Aqui.)

“Resumo livro como mandar a tristeza embora”
(“Xô! Xô!”)

“Sou baixinho”
(Ora, foda-se!)

Uma cunhada minha — hoje lecionando no Manhattanville College — me mandou isto, encontrado na porta do escritório desse primo distante, doutor em breves e semifusas.
Sorte do cara de ser músico. Quem se consultaria com um doutor que carrega um nome desses?

Encontrar isto na relação de obras do autor:

HISTORIA
Historia da flusufia em Macau. – 18 b’lumes.
Influencia du sixtante nu discruvimento du Vrazil. – 6 tuminhos
Historia da varatinha. – Milhurada, com capa dura

 PUISIA
Trumentos de uma iálma em frangalhos- Puema urtuphónico

HYDRAULICA
Influencia du Juão Grabe na óvra du Bultére. – 2 b’lumes
U tirrimoto de Lisvôa i u Canal du Panamá. – Isgutado
Manual du favricante de savão i accissorios. – Inda não sâi si dou a luz a isso.

M’DICINA
Prufilaxia e laparoto-mia da indumentaria lusa. – 1 b’lume grosso e pisado.
U estambago, u cutubello i as sunvrancelhas. – Istudo cumparatibo.
Trilugia du arrôto. – in-fólio

CUNF’RENCIAS
Sáim a crioilla, u que siria de nós!… (1896)
Chulé não é duença! É da p’ssôa! (1904)
Pulsibâijo só châira dispois de amassado! (Em priparo)

Comecei a pauleira às 6 da manhã. Precisava passar pra arte-final uma revisão que chegou ontem à noite, o anuário de uma escola. Trampo pra pagar as contas. Puxado. Dez horas, pdf enviado ao cliente, saí debaixo de chuva (puta chuva ridícula!) pro metrô: estação Vila Madalena, encontrar com o pessoal da Fábrica de Quadrinhos pra entrevistar e fotografar um tal Miranda, um cabra que eu desconhecia solenemente, e cujo currículo, cá entre nós, não me animou muito à primeira lida. Engano. Grande figura (grande mesmo!), simpático, inteligente pra caralho (aqui, uma entrevista que eu encontrei no YouTube, mas que não consegue mostrar quem é o cara), a ponto de eu ficar meio chateado de ter que ir embora antes que acabasse a função. Precisava ir prum sebo na Bela Cintra, encontrar-me pessoalmente com um livro que, depois de quatro anos de busca, achei: Caldo Berde, de Furnandes Albaralhão. Sim, eu gosto de encontrar certos livros pessoalmente, principalmente quando eles são raros. Há livros assim, como pessoas.

Bagaço da porra, e você ainda queria que eu escrevesse alguma coisa? Acagá! Hoje, não. “Bou é jantáre i drumire”, como diria Furnandes. Depois eu conto mais.

Então, eu conto: Branco Leone, Marconi Leal e Paulo Polzonoff Djâniar estão (estamos) começando a fazer uns planos, aprontar umas boas. Nada sério, mas depois do que pretendemos realizar, algumas palavras e expressões que usamos correntemente mudarão de sentido. “Vergonha na cara”, por exemplo, é uma delas. “Não tem mais o que fazer não, ô filhos da puta” também.

Segura aí. É rapidinho. Coisa de um mês ou dois. Enquanto isso, vai tentando adivinhar nos comentários. Referências a práticas homossesuais serão respondidas com um “dã”.

Pobre do país em que um babaca se sente à vontade para correr com sua (?) Ferrari dentro da cidade ao ponto de perder o controle e esboroar-se pelas tabelas.
Pobre do país em que o mesmo babaca, ao perceber que está sendo filmado por uma equipe de reportagem, sente-se igualmente à vontade para dar uns tabefes no operador de câmera.
Pobre do país em que o policial que atende à ocorrência consegue separar a briga mas dispensa o agressor logo em seguida, por não saber quem é o pai daquele babaca e quão acima da lei eles (o babaca e o pai do babaca) estão, e ele prefere não se arriscar. Se o agressor fosse preto, vá lá. Assim, rico, nem pensar.
Pobre do país em que um assunto desprezível como um esbarrão com uma Ferrari dá tanto pano pra manga. E revela tanto sobre uma sociedade.

Pois é. Nunca aceito convites para memes. Aproveito aqui para me desculpar com todos os que me incitaram a participar de algum, e eu, de maneira aparentemente insensível ou arrogante, declinei. O problema é que percebo, freqüentemente, que responder a memes é, para quem gosta, uma maneira dissimulada de expor lustro ou intimidades. Lustro, não tenho. Intimidades, se andasse a expô-las por aí, perderia boa parte da clientela.

Mas este, a que me convida Madame Bela, é irrecusável. Não pelo tema, mas pela hora em que acontece o convite: acabo de receber dois livros enviados por Milton “Queridão” Ribeiro, adquiridos durante sua mais recente viagem à Argentina. (Aliás, dia desses ainda falo aqui dos Verbeaters. Dá até a impressão de que tem que ser muito bacana pra ser do Verbeat.) Estava mesmo querendo falar dos dois livros, dizer “olha que bacana o que o Milton me mandou”, mas também tava pensando que isso podia soar um bocado idiota e/ou gratuito. Assim, com o meme, a oportunidade me desculpa.

Lá vou eu. Diz o meme:

1) Pegue o livro mais próximo
São dois, mas vou pegar o que está por cima.

2) Abra na página 161
Parece brincadeira, mas esta edição tem 160 páginas. A última, está em branco. A penúltima é o índice. Então, por minha conta, divido 161 por dois, arrendondo para cima e chego ao número 82 que… também é uma página em branco, divisória entre dois contos. Que merda! Vou, pois à página seguinte, a 83.

Não me conformo que errei uma conta tão tosca em público (161 : 2 = 80,5, não 81,5). Não fosse pelo meu amigo auditor e sua calculadora atômica, o erro passava. A frase correta, então, está logo abaixo.

3) Procure pela 5ª frase da página
Quinta frase ou quinta linha? Tá, entendi. Quinta frase… uma… duas… três… quatro… Achei.

4) Transcreva a frase para o blog
Se limpia la boca con la servilleta.” (Limpa a [própria] boca com o guardanapo.) Que bosta de frase. Mas quem não conhece, já fique sabendo: Carver é assim mesmo. Um amontoado de frases sem graça compondo um texto magnético. Quem o conhece, concordará. Carver faz colares de pérolas usando rolinhos de papel higiênico, tampinhas de garrafa, coisas assim.

Encontró un pijama en uno de los cajones.” (Encontrou um pijama numa das gavetas.) É… não mudou muito. Outra bosta de frase, que só serve pra comprovar o comentário feito anteriormente. Seja como for, o que é certo é certo, e a frase certa é esta. Só faltava alguém vir dizer depois que respondi nas coxas ao único meme que respondi até hoje. Isso, nunca!

5) Indique livro e autor
“De que hablamos cuando hablamos de amor”, título que, para quem não conhece o homem, soa absolutamente repulsivo, a não ser ao imberbe e punheteiro poetinha ou para sua espinhenta e sebosa musa. Mas quem o conhece sabe que o título (ao lado de “Três rosas amarelas” — também ofertado pelo Milton, também com 160 páginas! — e “Fique quieta por favor”) faz parte do processo de estranhamento, ingrediente e tempero que ele despeja aos montes nos seus contos. Indico não só este como também os outros livros citados, mais “Catedral” e “Short Cuts”, enjoadamente traduzido por “Cenas da Vida”, resultado da escolha que Robert Altman fez nos contos de Carver para realizar o roteiro do filme homônimo. É um livro-do-filme, e não o contrário, como é mais freqüente.

6) Passar o desafio para 5 pessoas.
Aí, é foda. Faço assim: quem quiser, abrace a incumbência e avise pelos comentários.

E quem persegue palavras para tentar dizer coisas fica impressionado quando conseguem tanto com “Utilize o túnel”. Dia desses, livro-me delas e começo a dizer.

Chegaram aqui procurando por “teorema de Pitaco” no Google. Posso responder? Ah, deixa, vai? Obrigado.

É muito simples, pequenino jumento: o Teorema de Pitaco garante que, num triângulo retângulo, a soma dos quadrados dos capetas é igual a uma besta ao quadrado.
O que é um triângulo retângulo? É aquele que tem todos os ângulos retos.
Ah, você não sabe o que é um ângulo reto? Ora, é um ângulo que não é torto.

Agora vai lá fazer seu trabalho de Matemática.

(Abre aspas) Esta simpática senhora de 80 anos é a jornalista Helle Alves, única brasileira a ter presenciado a chegada do corpo de Che Guevara em Valle Grande, na Bolívia, há 40 anos. Acompanhada do fotógrafo Antonio Moura, dos Diários Associados, furou a imprensa mundial (que estava reunida a 200 km dali, em Camiri, para acompanhar o julgamento de Regis Debray) noticiando a morte de Che para o mundo inteiro.
Revoltada com as distorções feitas pela revista Veja, esta semana, ela escreveu uma carta à redação da revista. Foi entrevistada por 1 hora e meia, e só saiu um pequeno box, insinuando que era uma “mistificadora”.
Fui conversar com ela, e fiz uma entrevista para o programa ABCD Maior em Revista. Quem quiser ouvir o relato dessa grande mulher, assista ao programa no domingo, 14/out, na Rede TV!, às 10 horas da manhã.
Daniel Brazil (fecha aspas)

Quanto mais o tempo passa, mais percebo que ser espinafrado pela Veja é pré-requisito para eu gostar da pessoa. Rede TV!, 10 da manhã. Eu vou.

+ Aos estranjas e atrasados: o programa fica disponível no site, em janela pequena (bem pequena), durante a semana seguinte à exibição na tv.

Em 16 de abril deste ano, o amigo Marconi Leal publicou um tal texto no seu blog. Leia, que é muito bom. Marconi Leal também publica, com alguma regularidade, uns textos no site do jornalista Fausto Wolff. De graça, segundo ele, mas não tenho nada com isso, e sei bem como são essas coisas. Até aí, tudo bem.

Hoje, 30 de setembro, o citado jornalista estica as costas, estala os dedos, mete um preâmbulo no tal texto e publica tudo no Jornal do Brasil, tomando apenas o cuidado de revisar parte da “gramática” do bandido protagonista (refiro-me ao bandido-personagem). Outros cuidados — como dar crédito, citar a fonte, dizer quem é o autor verdadeiro do texto — ah, pra quê? Excesso de cuidado é neurose.

Xingar, não pode. Mas posso perguntar: que parceria é essa? Eu publico, tu escreves, eu recebo? Que porra de verbo! E outra: um cara com o currículo de Fausto Wolff precisa disso? Ah, foi homenagem! É isso! Ô, Marconi, deixa de ser chato! Você foi homenageado. Parabéns, Marconi.

Fico até com vergonha.