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Quem estiver interessado em acompanhar a polêmica que surgiu aqui sobre Direitos Autorais pode dar uma espiada no post em que tratei do assunto. O amigo Daniel Brazil e o leitor Marcelo discutem seus pontos de vista — obviamente contrários, pois, se assim não fosse, não haveria discussão.

Prefiro quebrar um pé a me meter em polêmicas. Mas não posso deixar de dizer que, sobre o tema (aliás, sobre qualquer tema relacionado a evolução de mercado e suas políticas), pouco importa a opinião deste ou daquele, pouco importa o que é “certo”. A fila anda, e o “certo” será sempre a atribuição de quem manda. O poder agora está descentralizado, por causa da Internet. Quem quiser matar os carrapatos, vai ter que acabar com a vaca. Ou o “poder” (faz-me rir) junta-se aos carrapatos, ou morre. E morrerá, porque não se curvará jamais. Os teimosos são assim. Não há novidades em História, apenas a mesma coisa contada de outro jeito, com outros personagens, em outros ambientes.

Confesso que não sei o que é melhor — note-se que eu não disse “certo” ou “errado”. Mas vou fazer aqui um exercício. Quem quiser adaptar as variáveis para outros assuntos, que fique à vontade.

Constatamos hoje que uma das faces ditas brutais da Internet tem sido a dificuldade em se conter a disseminação de pornografia infantil pelos tais pedófilos. Uma mazela, uma tragédia, e duvido que alguém discorde (incluindo eu mesmo). Pois então, um fato: a bisavó de minha mulher, filha de “gente bem”, família tradicional e estabelecida, não foi autorizada pelo pai a se casar com um pretendente que lhe apareceu por um simples motivo: ainda não tinha menstruado. Diz a história familiar que, depois que seu corpo resolveu-se a tal, casou-se imediatamente. E levou sua boneca preferida para a lua-de-mel. Alguém foi preso, difamado, perseguido? Ninguém, é claro. Isso era prática corrente.

Conheço o caso e o entendo, mas nem por isso deixaria de correr a bala com o engraçadinho que aparecesse aqui com semelhante proposta para minha filha de 14 anos (que já menstrua há tempos). Mas é preciso perceber que, numa época em que se morria feito mosca, se não se começasse cedo a jubilosa tarefa da reprodução, as famílias corriam o risco de sumir — com todas as conseqüências emocionais, sociais e financeiras disso.

Se é que alguém ainda não entendeu, o que quero dizer é tão óbvio que até sinto vergonha de expressar: Lei não é; Lei depende. Se assim não fosse, eu poderia apedrejar até à morte meu vizinho porque sei que ele trabalha aos sábados. Está na Bíblia, uai! Por que não posso?

Voltando aos direitos autorais, quando o poder muda de mão, sempre ofende a quem o perdeu. Mas não há lei que faça o mercado dar o poder a este ou àquele. O poder está na mão de quem o tem, e foda-se o resto. E se o mercado, para funcionar, tiver que ser fora da lei, será, e não haverá lei que o contenha. Cocaína era remédio receitado há menos de cem anos.

Marcelo, permita-me: isto não é um assunto “contaminado de ideologia”. Primeiro, ideologia não é doença. Depois, isso é fato observado. Nossa opinião não interessa.

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