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Pênix – Espécie de rola que pega fogo mas nem sempre renasce das cinzas com a facilidade que se espera (ver também ‘E então, como é?‘, ‘Tem jeito ou tá difícil?‘ e ‘Tá bom, dá aqui, que eu chupo essa merda!‘).

(*) Quem é o Nário? Ora, você sabe!

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Foi assim. Esta menina, depois de sofrer em silêncio por anos a fio, confessou-me hoje, num estertor descontrolado: “mas ô bannerzinho mais fuleiro do mundo esse do seu blog“. Achei que ela falava dos livrinhos aí no canto. Não era. Ela se referia ao leão banguela e grisalho que enfeitava (?) o “cabeçário” — neo-google-logismo, não reparem — deste blog. Tá bom, vá lá, eu largo da metáfora e me agarro ao explícito (e que explícito!): em homenagem a ela, mudo o banner. Até porque ainda não estou grisalho.

E já pré-respondendo às perguntas que virão: 1) Não, eu não faço coleção de fotos de bunda; 2) Não, esta não é uma capa recusada do livro do Biajoni; 3) Não, essa bunda não é dela; 4) Nem dela; 5) Eu já disse que não conheço a dona da bunda!

Eu vivo dizendo que escrevo para mim. Mesmo que alguém não pergunte, digo que pouco importa a opinião alheia, que quem deve ficar satisfeito com o que escrevo sou eu, e outras conversas moles que têm, na verdade, a função de me blindar para a porrada que certamente virá de algum lado, como sempre vem. Digo isso tudo, e nem fico vermelho. Daí, o Milton Ribeiro fala do livro. Hoje, acordo tomando um texto do Polzonoff na orelha (no bom sentido).

Conversa mole isso de “pouco importa”. Quem escreve quer ser lido e entendido, mesmo que escreva “no chuveiro”, como eu e muitos cantores. Quem gosta de falar sozinho é doido.

— Você é danadinho, hein, menino? — ela me diz enquanto coloca a mão sobre a minha, aproveitando-se da proximidade, quando me abaixo para lhe dar um beijo.
— Sou? — pergunto sorrindo, espantado.
— É! Você escreve cada coisa!
— Ai, não me diga que você lê o que escrevo! — torço para que o que ela diz seja apenas por simpatia.
— Se leio!
— Pois não faça mais isso, certo? Nunca mais! — brinco de repreendê-la.

Ela ri. Fecha os olhos, e ri. Larga minha mão e me observa. Demoro a entender o olhar, mas finalmente percebo: ela me fotografa. Eu olho aqueles olhos, e sinto que é impossível não amá-la. Impossível não me sentir quase empurrado, é como se a força que um dia movimentou seu corpo tivesse migrado para os olhos. Os olhos de Zélia Gattai.

Devo a Zélia algumas de minhas mais nobres certezas. A certeza de que é possível amar, de que é possível começar, que sempre é possível começar e continuar, contar histórias e — uma das mais difíceis — rir disso tudo. E que estas são algumas das poucas coisas que merecem atenção. Amar muito, começar sempre, contar histórias e rir.

Difícil escrever sobre isto, sobre ela. Antes, seria melhor (melhor?) ter certeza da realidade: olhar para a cabeceira daquela mesa e não vê-la, não ver os domingos, a jarra de água de coco, a cesta de beiju, a cadeira vazia, o quadro por detrás, retrato dela mais jovem. Mais jovem, eu disse? Duvido. Difícil imaginar Fadul procurando seus pés. Nestas horas, ninguém se lembra dos cães. Ninguém se lembra de quem ama pelos olhos.

Zélia morreu. E agora? Como amar, começar sempre, contar histórias e ainda rir? Quem pode sorrir com isto? Vai ser difícil. Prometo tentar, tia. Amanhã. Hoje não. Hoje, só consigo mesmo esta homenagem piegas, impossível de não a fazer, impossível de a fazer de outro jeito. Me desculpe.

Puta filme.

Conclusões: Pobre só se fode, em qualquer lugar do mundo. Polícia é uma merda em qualquer lugar do mundo.

Se alguém aí quiser:

uma impressora HP-820 Cxi, sem cartuchos de tinta, com cabo de força, precisando de limpeza e alguns ajustes internos,

uma impressora Canon BJC-80 — que também funciona como scanner – com alguns poucos cartuchos, cabo de força e transformador (127 para 220V), precisando também de alguns ajustes internos,

quatro cartuchos de tinta Epson (Cyan, Light Cyan, Yellow e Magenta), 13 ml, para impressoras modelo R200/ R220/ R300/ R320/ R340/ RX 500/ RX600 e RX620,

é só pedir pelos comentários e receber o(s) item(ns) escolhido(s) pelo preço do correio. Isto, é claro, se você não se importar de ficar devendo favor pra mafioso…

Dizia que era vegetariana, gabava-se de nunca ter posto carne na boca. No entanto, chupava um cacete que benzadeus. Era fome, coitadinha.

Quando Seu Naná, o bêbado da vila, foi encontrado morto, a cara na poça d’água da sarjeta, passado o susto, todos riram. A autópsia que alguém se lembrou de fazer revelou morte por afogamento, o que fez com que todos rissem mais uma vez. Riram ainda mais quando, mexendo nos papéis dele, descobriram que se chamava Narciso. A vida é uma festa.

Ambidestria – Capacidade que permite não se sentir um completo idiota e/ou danificar o ernesto ao descabelá-lo com a mão errada (ver também ‘Canhoto‘, ‘Punheta‘ e ‘Direita ou Esquerda, é tudo a mesma merda‘).

(*) O Nário, como se sabe, é aquele que vive atrás do guarna-roupa, à sua espera.

Na van-preta estacionada, a família classe-média-pequeno-burguesa espera alguma-coisa: o pai saco-cheio-um-dia-sumo-daqui, a mãe não-sou-puta- porque-não-posso, o filho qualquer-dia-mato-um-deles-a-facadas, a filha sou- tudo-o-que-mamãe-não-pode-ser. No bagageiro, o beagle-filhote lambe o vidro por dentro, tão feliz, que faz o resto valer a pena.

Meu segundo (e, por que não dizer, elogiado) livro esgotou. Bacana. Daí, para não deixar a meia dúzia de futuros interessados a segurar mangalhos, rodei dúzia e meia de exemplares no formato bolso. A reedição é menorzinha, mas tá tudo ali, re-revisado, ainda mais barato, correio nacional incluído, tudo por 14 conto. Melhor que isso, só se eu levasse o livro na sua casa e o lesse fazendo mímica. E isso eu não faço, porque o livro tá cheio de coisa feia, dessas que não se faz na casa dos outros. E eu, você sabe, sou muito educado. E então, vai levar quantos?