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Num truque de mágica, há o mágico, o baralho e o espectador. O mágico usa o baralho para fazer o truque e enganar o espectador. E o espectador sorri. Mas, e quando o mágico faz o truque e engana… o baralho? Ou quando o espectador percebe que é o próprio baralho? Ainda é truque? Será que nós todos temos mesmo a Música em estado sólido dentro da cabeça? Assista Bob McFerrin no World Science Festival 2009 e conclua.

Dica do bróda Alexandre Pavan, que não se dá ao desfrute em caixas de comentários, mas que usa o e-mail como ninguém.

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Comprei uma gaita.

Pois este contrabaixista de domingo, afeito ao rock e ao rhythm’n’blues, de Led Zeppelin a Pearl Jam passando por Tom Waits e Adoniran Barbosa, baixou um disco do Paulinho da Viola. Samba da melhor qualidade, a voz mais chique da música brasileira e uns cavaquinhos não menos lá por detrás.

Cavaquinho… Um violão com deficiência na tireóide, tadinho, seu tamanho inspira o cuidado que sentimos pelas crianças e por outros tipos de deficiente. Quatro cordas, cavaco e contrabaixo… Um com voz fininha, saltitante, de mosquito; o outro, vozeirão de trovoada. Tocar os dois valeria de muita coisa, incluindo a piada.

Tenho amigos no ramo. Falei com um e com outro. Um se dispôs a ir comigo à Teodoro Sampaio escolher um bom e barato; o outro me emprestou o dele, pra fazer um test-drive.

Peguei o nanico e o trouxe para casa. Fofo. Mas… nem só de carinho vive a disposição para um instrumento. Aquilo é um suplício. É botar o cavaquinho em posição e tentar acompanhar alguma música, sinto-me um Gulliver com paralisia cerebral. É como ter que cuidar de cem crianças hiperativas, duzentas ratazanas esfomeadas, é como retirar os espinhos do ouriço que perdeu a briga com o macho-alfa do bando de ouriços, ou tudo isso ao mesmo tempo. E rápido! Muito rápido!

Adeus, cavaquinho! Duas horas. Foi o tanto que durou minha carreira no instrumento. Volto ao meu bom e velho contrabaixo. Pesadão. Lento. Grosso. Feito eu. Tá, não como ninguém, mas estou no lucro.

Em tempo: Sim, este blog está parado. Agora você entendeu por quê?

Soube pelo Biajoni que o amiguinho Brigatti escreveu há tempos um tratado sobre a reprodução e o acasalamento dos Baixistas, essa espécie desconhecida e que, por motivos óbvios, encontra-se a caminho da extinção.

Quase tão bons quanto o texto são os comentários dos Defensores de Alguma Coisa (*), animais que hoje, graças à Internet, proliferam-se como ratos e tem por principal característica a incapacidade de identificar uma piada. Não seria preciso que a entendessem; bastaria que pudessem identificá-la. Mas isso, como se sabe, é algo que só acontece na estratosfera do pensamento humano, isto é, em altitudes superiores a QI 30.

(*) Neste caso, a subespécie dos Defensores dos Contrabaixistas.

Ando estudando. Fiando-me nos mestres. O Tube taí pra isso. Com vocês, Jaco Pastorius tocando Birdland com o Weather Report. Um dia eu chego lá. Mas com uns quilos a mais. E sem a faixa no cabelo. Por falta de cabelo, é claro.

Pra quem não conhece, este é John Francis Anthony Pastorius III, ou apenas Jaco Pastorius (01-12-1951 / 21-09-1987). Nasceu baterista, quebrou o pulso jogando bola, teve que virar baixista. Arrepiou de ponta a ponta, e morreu com um murro bem dado pelo gerente de uma casa noturna que não gostou de suas palhaçadas. Ninguém conta a história daí pra frente, mas eu sei que o tal gerente também quebrou o pulso quando lhe deu o murro, teve que mudar de profissão, e hoje ganha a vida testando termômetros retais veterinários, o filho da puta.