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Comprei uma gaita.

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Pois este contrabaixista de domingo, afeito ao rock e ao rhythm’n’blues, de Led Zeppelin a Pearl Jam passando por Tom Waits e Adoniran Barbosa, baixou um disco do Paulinho da Viola. Samba da melhor qualidade, a voz mais chique da música brasileira e uns cavaquinhos não menos lá por detrás.

Cavaquinho… Um violão com deficiência na tireóide, tadinho, seu tamanho inspira o cuidado que sentimos pelas crianças e por outros tipos de deficiente. Quatro cordas, cavaco e contrabaixo… Um com voz fininha, saltitante, de mosquito; o outro, vozeirão de trovoada. Tocar os dois valeria de muita coisa, incluindo a piada.

Tenho amigos no ramo. Falei com um e com outro. Um se dispôs a ir comigo à Teodoro Sampaio escolher um bom e barato; o outro me emprestou o dele, pra fazer um test-drive.

Peguei o nanico e o trouxe para casa. Fofo. Mas… nem só de carinho vive a disposição para um instrumento. Aquilo é um suplício. É botar o cavaquinho em posição e tentar acompanhar alguma música, sinto-me um Gulliver com paralisia cerebral. É como ter que cuidar de cem crianças hiperativas, duzentas ratazanas esfomeadas, é como retirar os espinhos do ouriço que perdeu a briga com o macho-alfa do bando de ouriços, ou tudo isso ao mesmo tempo. E rápido! Muito rápido!

Adeus, cavaquinho! Duas horas. Foi o tanto que durou minha carreira no instrumento. Volto ao meu bom e velho contrabaixo. Pesadão. Lento. Grosso. Feito eu. Tá, não como ninguém, mas estou no lucro.

Em tempo: Sim, este blog está parado. Agora você entendeu por quê?