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Ó, temporas! Ó, mores! Que dias vivemos! Basta que se junte uma garrafa de cerveja com dois blogueiros, e só se ouvirá falar de um assunto: monetização. Mas o que aconteceria, então, se juntássemos dez blogueiros, uma mulher de, um bar, uma pizzaria, três dúzias de cervejas e três pizzas? Mil assuntos (todos propalados aos berros, porque a malta é extensa, e berrar… sei lá… é tão doispontozero, né?).

Sadismo Infantil
Doni: — Porra, como alguém pode achar que isso não existe? Tudo a ver com a fase anal!
Biajoni: — Chamou?

Prostituição
Almirante Nelson: — As putas de Goiânia são as mais bem cotadas do Brasil!
Branco Leone: — O José Dumont disse que viu uma placa pendurada num puteiro em Serra Pelada que dizia “Infelizmente, não trabalhamos com cu. A gerência.
Voz interior: — E o cu com as calças? Serra Pelada fica em Goiânia?

Inagaki
Voz solitária: — Cadê o Ina?
Todos: — Sei lá.
Voz solitária: — Ele disse que vinha…
Todos: — Ahã!

Reforma ortográfica
Olivia Maia: — Meu chefe disse que essa reforma ortográfica não vai pegar.
Alguém: — Mas dizem que os portugueses já assinaram.
Outro alguém: — Xi, então fodeu.
Olivia: — Mas agora, como eu vou escrever “tranqüilo”? Com trema ou sem trema?
Branco: — Por que a preocupação? Nem maiúsculas você usa!

A chegada de Roger
Os homens: — Ih! Sujou! Mão na cabeça!

Ouvido de passagem
Alguém: — Ratapulgo, quase não reconheci você sem os ovos na cara…

E, como não podia deixar de ser, Monetização
Biajoni: — Em vez de monetizar, a gente podia vangoghizar, não?
Branco Leone: — Alguém tire uma foto dessa zona, que eu monetizo amanhã mesmo. (abaixo, o resultado).

 

Dos outros, não ouvi nada: ou não berraram o suficiente, ou berraram depois da décima cerveja. Isto é, antes das pizzas.

Vivo praticamente no centro da cidade mais poluída da América do Sul. No guia de ruas, o círculo que indica os três quilômetros de distância do centro passa por cima da minha casa. Mas estar próximo a dois alqueires de mato — o parque da Aclimação — me faz vizinho de uma tal passarinhada que nunca vi ou ouvi, mesmo tendo morado em bairros mais distantes.

De manhã, eles enlouquecem. O sol nem ameaçou nascer, e as melodias já se misturam. O primeiro a tirar o pigarro é o sabiá. Madrugador, começa sua cantoria de ritmo vibrante em escala menor, o que dá um tom meio alegre meio triste à música, um trio-elétrico tocando uma marcha fúnebre. Ou então é meu remédio que está acabando, sei lá. Depois, o bem-te-vi, bicho enxerido, que tudo bem-te-vê, até o que não se pode bem-te-ver porque ainda está escuro. Ou enxerga muito bem, ou blefa igual. Tisius solitários, um aqui outro ali (caso contrário, não seriam solitários), invisíveis mas aos milhares, fazem tchiu, tchiu, de milhares de galhos à minha volta. As garças brancas não cantam: um bicho com tal pescoço não pode se arriscar a um torcicolo. O casal de gaviões também não é dado à música: seus ancestrais descobriram que quem canta pouco almoça melhor. E eles, já há muitas gerações, descobriram o valor de um bom almoço.

Na cozinha, pondo a água para ferver enquanto preparamos o café, lavamos duas canecas em silêncio, ouvindo a passarinhada.

— E este? — pergunta minha mulher.
— Bem-te-vi.

Passa um instante. Começa outra melodia.

— E este?
— Sabiá.
— Que lindo.
— É mesmo.

Começa um trinado distante, alucinado.

— E este, e este? — pergunta, animada.
— Um alarme de carro.
— Não brinca.
— Juro.

Hoje é aniversário do Stephen Fry! Cinqüenta aninhos. Conhece não? Então, vou resolver o seu problema:

 

 

Ele é o Major Donaldson. O nazista é Hugh Laurie. Se quiser saber mais dos cabras, vem aqui porque, se eu for falar deles, encho três blogs.

Em tempo: no quadro que começa este vídeo (de uma série que eles chamavam de Vox Pops, simulando entrevistas com populares nas ruas), Laurie digita uma data na maquininha. Repare. Percebeu? Ah, você não me conhece mesmo…

Este brioso mancebo aí ao lado surgiu por aqui numa dessas horas do dia (que andam cada vez mais freqüentes) em que ou eu paro de trabalhar ou queimo um fusível.

Daí, fui dar uma passeada pelo site da rosquinha mordida e, fuça aqui, espia ali, encontrei uma seção em que o distinto visitante pode tentar desenhar-se a si mesmo, usando pedaços do traço de Matt Gröening, o psicopata de sucesso (um deles).

Pois é, o cabra aí do lado seria, então, numa auto-retratação adaptada ao traço da casa, … eu.

Achei que fiquei a cara do Milton Ribeiro, só que gordo. Vou tentar de novo.

Aproveitando que as coisas sossegaram um pouco, arrumei umas bagunças por aqui. Ontem, foi a foto nova do cabeçalho e o “anúncio” aí do lado esquerdo. Hoje, uma página nova, “Quem leu“. Na verdade, é aquele blog de fotos de quem já leu meu livro, mas agora aqui, como página deste blog. Muito mais prástico, nénão? Depois, quando este post sumir lá pras profundezas abissais do seu monitor, bastará que vossência clique no “Quem leu” ali em cima. Não, mais pra cima, ao lado de “O cara”. Achou? Não, mais pra baixo. Não, porra, precisa enfiar tudo na cara? É, aí mesmo. Gente cega, credo.

Depois, será a hora de fazer uma página pro “Branco Leone European Tour”, que a Eli Moreira e o Eduardo Schaal estão preparando. O que é “Branco Leone European Tour”? Bem, se você gostou do anão da Amélie Poulain, vai adorar esta página. E mais, não digo.

Ah, sim, dia desses também volto a escrever aqui. Aliás, já voltei, mas ainda não está bom pra publicar. É uma série de posts com o singelo nome de “Considerações sobre a (própria) burrice”. Promete. Mas ainda tenho a lista de links pra organizar, que aquilo tá uma zona.

Ah! Quase que eu me esqueço: agora, para Literatura Independente e arredores, um blog só pra isso, onde copipeistarei  o que encontrar por aí. Bom pra todo mundo: quem quer ler, vem aqui; quem quer brigar, vai lá. Gostou, né?

Pra quem não viu e não sabe, esse vídeo é baseado num texto originalmente escrito a pedidos desta menina. Trabalho de primeira de Helio Ishii (na direção) e da equipe do Núcleo Virgulino, sem deixar de mencionar as interpretações magistrais de Osvaldo Gonçalves e Eloisa Elena (esta, você deve conhecer do comercial do meu livro).

O próximo será baseado neste texto.

(e você achava que se escrevia “cabeçário”, fala a verdade!)

Trocar a foto aí de cima foi um jeito de homenagear o talento desse cara, amigo velho (nem tão velho, mas ele chega lá!) que anda pelas ilhas da rainha e arredores, a descansar e a gastar uns poucos trocados que juntou.
Como não consegue se livrar do olhar que tem, fica produzindo estas pérolas, mesmo em férias. Vejam-lhe as fotos de viagem (qua ainda não acabou pois os tais trocados, ao que parece, não são assim poucos) e percebam que só um cara de muito talento e olho treinado conseguiria encontrar inglesas assim bonitas. Coisa de estranhar num lugar onde a Lady Diana era o ícone de beleza. O cara é bom.

Pra quem tiver paciência, acabo de colocar n’Os Viralata uma página com respostas às perguntas que não consegui responder ontem, durante a entrevista. Servimos bem para servir sempre. Aceitamos encomendas para festas em gerais.

Correção: Agora o link está indo pro lugar certo. Sorry.

Muito legal esse negócio de dar entrevista, sabe? Planejei, rabisquei, ensaiei tudo. Não usei nada. A gente começa a falar da coisa e, quando percebe, está no meio de uma tamanha saraivada de perguntas de internautas que é impossível de atender direito a todo mundo.

Vai daí que resolvi dar uma bonus-track do chat que rolou durante a entrevista: se você participou e fez uma pergunta que mereça resposta, vá amanhã a’Os Viralata, lá pro final da tarde, para lê-la. Promoção válida inclusive para Alex Castro, o pentelho do bem.

Anote aí: nesta segunda, 13 de agosto (que, coincidentemente, é o dia do cachorro louco), às 20h, este vira-lata estará na allTV, sendo entrevistado para o programa Portall do Leitor. Imperdível, ao menos para mim.
Apareça, participe. No mínimo, você poderá concorrer àqueles livros d’Os Viralata que você sempre quis, mas é pão-duro demais pra comprar.

E, se não for pedir muito, divulgue: segunda, 13 de agosto, 20h, na allTV.

Update: Tem muita gente perguntando em que canal é a allTV, se é NET ou TVA, essas coisas. A allTV é uma “e-missora”, isto é, você clica no link e assiste. Só isso. Uma espécie de YouTube ao vivo, mas com um vídeo só. Tendeu?

 

 

“Nataniel, escritor fracassado, decide suicidar-se. Carrega o revólver, coloca-o a seu lado, na escrivaninha, e põe-se a redigir a carta de despedida. A carta se alarga, se ilumina, respira, vive. É a obra, a ansiada obra!
Para poder publicá-la, Nataniel não se suicida.
Trata-se, agora, de encontrar editor. É quando Nataniel descobre que não devia ter desistido do suicídio.”

Glauco Mattoso
(Não conhece?? Onde você andou nos últimos 30 anos?)

desenhos para colorir no fundo do mar
Xi, cara, tem certeza? Vai borrar tudo.

pesquisar uma frase com a palavra mau
“Mau dita ora em que eu abri um blog.” Copie e mostre pra professora, ver o que ela acha.

como se escreve a palavra mendingo
Não é assim.

Regra dos porques
Por que você quer saber? Diga-me o porquê. Porque, caso contrário, eu não digo. (Entendeu, ou quer que eu desenhe?)

desenhos sem pinta em branco
Desenho sem pinta? Ah, desenho sem pintar! Vá aprender a escrever, jumento.

globo valeapenaverdenovo
Não, não vale.

dando a bunda
Não é aqui, não senhor.

fotos caseiras no banheiro
Tem essa. Serve?

meu navegador não entra em blog
Pouca sorte a minha. No meu blog, entrou.

tudo sobre um livro lido
Pois é, é bom se informar sobre essas experiências esquisitas. Onde já se viu, ler um livro assim, sem saber dos riscos que se pode correr?

fotos de palhaço para colorir
Basta uma câmera e um espelho.

publicar livros por conta própria
Opa! Veio ao lugar certo.

puta peluda
É a mãe, seu mal educado!

Durante o lançamento dos livros do Bia e do Alex, conheci a Olivia Maia. Chegou devagar, perguntou umas coisas sobre os livros (acho até que não a atendi direito por causa do movimento), e ficou por ali, batendo papo com a moçada. Soube depois, pelo Bia, que ela tinha uma experiência de publicação por editora, e que não andava lá muito satisfeita, por diversos motivos.

Quando escrevi o post anterior, tive vontade mas não me senti autorizado a tocar no caso dela. Não sabia se aquele era assunto privado, e não queria ser eu a botar na rede. Nesse meio tempo, um dia antes de eu tocar no assunto aqui, o Julio Daio Borges do Digestivo Cultural publicou uma entrevista que fez com ela, falando exatamente no mesmo assunto, sob o ponto de vista da Olivia.

O assunto está no ar.

Em dezembro passado, levamos as crianças na viagem que fizemos de carro à Bahia. Pedro, apesar de ser filhote de Leone, é o bom-humor em forma de gente. Entre sorrisos e disposições contagiantes, o nanico foi responsável por importantes adições ao adagiário e lendário familiar. Num exemplo, não houve banheiro de posto de gasolina que parássemos sem que ele, ao sair, não explicasse porque tinha usado a privada, e não o urinol dos adultos: “Eu sou baixinho!”, dizia sorrindo. Eu, sempre e em seguida, corrigia: “Você não é baixinho; você tem dez anos”. E ele ria. No posto seguinte, lá vinha ele da privada, puxando o zíper para cima, e explicando: “Eu sou baixinho”. E eu repetia a correção, talvez apenas para fazer minha parte para que ele sempre possa se sentir enorme, como realmente é.

Em dezembro próximo, fará três anos (três anos!) que eu batalho essa porra a que chamei de Os Viralata. Minha molecagem latente e a incorrigível irresponsabilidade que animam meus dias me fizeram criar um site a partir de uma idéia velha, tosca, quase boba. Gente boa que ficou sabendo disso chamou a empreitada de “ambiciosa”. Ambicioso (e burro) talvez fosse querer ganhar dinheiro com isso, mas tal idiotice nunca me passou pela cabeça. Minha idéia foi, ainda é e, se tudo seguir assim (ou não!), continuará sendo fazer um site que sirva de referência a uma busca por literatura independente. Em termos de Google, já consegui: o primeiro link que aparece quando se procura por Literatura Independente (com ou sem aspas) é do Uol, e só aparece porque é do Uol; o segundo link é Os Viralata. Vale visitar o resto da lista de links que aparece, porque dá pra ter uma idéia bem precisa da situação atual: só se encontra catedrático cagando regra e blogueiro inconformado e/ou trabalhando a respeito.

A mídia, a tal mídia, aquela que forma opiniões, só entra em cena pra falar merda. Não que os grandes jornais só estejam publicando bobagens sobre o assunto. O que me fascina é a incapacidade que eles têm de lhe dar uma cor diferente, mais real. Fala-se de escritores independentes e suas ações com o mesmo espanto que se fala do nascimento de um panda albino, ignorando que o escritor independente é tão velho quanto a Literatura. Mas que caralho, será que não dá pra falar do atual despontar de alguns escritores e ações independentes como sendo uma reação à merda estabelecida que domina o mercado literário?

Paula Lee, escritora brasileira radicada em Portugal, me conta que “aqui em Portugal tem se trabalhado para reduzir os preços dos livros, o que apóio. Os livros aqui custam entre 12 a 20 euros, os que estão acima disso afastam o público”. A Sombra do Amor, editora portuguesa que publica, entre outros, o sensacional Esquizofrenias de Bolso, tem seu catálogo inteiro entre 6,50 e 8 euros. Mas enquanto isso, no Brasil, terra de gente rica e letrada, vemos no Estadão de hoje: “Chama atenção o fato de uma edição de autor conseguir tal feito [ser exposta em livrarias] – em parte pela própria natureza das livrarias atuais, que chegam a cobrar das editoras para que um livro ocupe espaço nobre em suas preciosas estantes e vitrines.” O grifo é meu: alugar prateleira é da “natureza” das livrarias? Quando falo do tom das matérias, me refiro a isto: chama a atenção do repórter o fato de uma edição independente alcançar o Olimpo das grandes livrarias, mas não chama a atenção o fato de uma prateleira ser um Olimpo. A livraria aluga a prateleira, e pronto. É assim que funciona. Vamos ao próximo assunto. E o que isto causa no mercado? Ah, deixa pra lá. Melhor não falar nada para não perder anunciante.

Eu sou baixinho. Ao contrário do Pedro, eu sou mesmo baixinho. Minha média de visitas neste blog pouco passa de cem por dia. Eu não sou ninguém, ninguém me ouve. Alex Castro é baixinho. Biajoni é baixinho. Valter Ferraz, que está lançando um livro estupendo (por outro selo) é baixinho. Nós, estes citados, outros tantos, somos todos baixinhos diante disso tudo. Renego conglomerados, uniões, sindicatos, amontoados. Vou sozinho porque sou anarquista, e a anarquia é tanta que até o rótulo de anarquista me incomoda. Mas, porra, se você acha que a Literatura (independente ou não, tanto faz) merece cuidado, fale disso no seu blog, levante discussões sobre a lei do direito autoral, pergunte — a quem puder responder — por que um livro tem que custar 20% de um salário mínimo, por que uma distribuidora ganha quatro vezes mais que um autor, por que no Brasil há mais editoras que livrarias. Esse monte de baixinhos, fazendo alguma coisa além de cuidar dos próprios umbigos, pode fazer diferença se resolver morder. O cachorro que um dia me mordeu a bunda… era baixinho. E doeu.