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Quando eu era moleque, a expressão “serrar um cigarro” tinha um significado completamente diferente.

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Ser fumante, hoje, é mais ou menos como ser preto. A diferença é que você pode deixar de ser.

Atualização: A Cynthia falou um pouco mais sobre o assunto. Agora que está escrito, é fácil falar: era exatamente isso que eu queria dizer!

Numa das primeiras aulas de Marketing que tive (não é preciso me xingar por isso, eu mesmo o faço todos os dias, obrigado), a professora trouxe um causo para ilustrar a aula que, seja ficção ou realidade, foi bem contado e aprendido (tanto, que o estou repartindo agora, vinte e tantos anos depois). Disse ela que, certa vez, uma fábrica de chinelos de borracha resolveu descobrir porque não vendia nada que prestasse na Bahia. Uma pesquisa elucidou tudo: em terras baianas, quem usava o tal chinelo era mulher ou viado. Não se sabe por que, homem que usasse aquilo ficava por lá, para todo o sempre, com a pecha de boiola.

Tentando então aumentar as vendas na região mudando a imagem do produto, a agência se resolveu a um expediente que havia de se mostrar eficaz: contratou um lutador de boxe local, conhecido por seu caráter macho e atitudes violentas, e pôs no ar um comercial em que o tal sujeito aparecia usando os tais chinelos. Com efeito, a imagem foi mudada, porque daí em diante todo mundo começou a achar que o tal boxeador era viado.

Mas o assunto é outro. O Seu Obama chegou animado, foi não? Tão animado que, a cada nova notícia, aumenta meu temor por sua vida. Mataram o Kennedy por muito menos, e olha que o Kennedy era branco. Contrariando o ditado racista, a coisa que o homem mais faz é limpar a merda que o jumento anterior deixou espalhada pelo mundo. Agora, uma semana depois de empossado, o cabra passa a mão no telefone e, já que se anda falando tanto de combustíveis menos poluentes, liga pra Mr. Lula, presidente do país que usa álcool como combustível há pelo menos 34 anos. Esperto, o moço percebeu que não se joga fora 34 anos de tecnologia. Mesmo que seja tecnologia brasileira. O que vai sair disso, não sei. Mas que o homem tá fazendo diretinho, ah, isso está.

Pois então, hoje de manhã, os sites d’O Globo, d’O Estado e do Terra davam, em letras tão garrafais quanto a Internet permite, a notícia do telefonema. O site da Folha, bem… a notícia estava bem lá em baixo, em letrinhas de bula, sabe como é, papai não deixa encher a bola dos oponentes. Capaz que a Veja desta semana imprima a notícia numa folha à parte e se esqueça de encartar na edição.

Agora é questão de tempo para que Obama fique — ao menos para os paulistas — com fama de cachaceiro, corrupto e analfabeto.

Acaba o filme. Como é costume, minha mulher faz sua análise concisa:

— Que bosta…
— Ah, nem tanto. — discordo — O cara fez roteiro, produção, fotografia e direção. Isso tem algum valor.
— Tem. Dava pra matar todos os culpados com um tiro só.

Manchete na abertura do Yahoo, logo abaixo de um tríptico (por assim dizer) com as fuças de Freddy Krueger, Chucky e um boneco com cara de retardado (que vim a descobrir depois que é um tal de Jigsaw): “Sem estes personagens assustadores, o cinema não teria graça“.

O cara é pago pra escrever esse tipo de merda? Digo, o cara ganha uma grana, leva pra casa, sustenta uma família, cria filhos, espalha os genes por aí e perpetua isso? Não dava pra castrar o sujeito antes de ele entrar na faculdade de Jornalismo?

Chamar Freddy Krueger de cinema é o mesmo que chamar arroto de música. “Assustador” é esse mundo. Quem precisa de cinema?

Você me diria: “Ah, Branco, deixa de ser neurótico, é só uma manchetezinha de sexta-feira, pra relaxar“. E eu responderia: “Ora, vá tomar no meio do seu cu“.

Com o advento do Torrent aqui em casa (obrigado pelas dicas, ), tenho consumido um bocado de dvds virgens (“mídias”, como diz a tropa), algo em torno de 50 a cada dois meses. Compro-os sempre no mesmo lugar, e eles vêm acondicionados em pinos, aquela embalagem que, por mais que eu pense, não consigo lhe encontrar outra utilidade. Uma vez que os dvds, quando gravados, vão pras suas respectivas caixinhas, vou juntando pinos e mais pinos por aí (digo, aqui), esperando que um dia me ocorra o que fazer com aquilo.

Hoje, fui lá no fornecedor buscar mais uma leva. Quando estava pegando o pacote (com mais um pino), perguntei:

— Escuta, eu tenho monte disso lá em casa. Posso trazer pra vocês reutilizarem?
— Melhor não… — disse a moça, muito gentil — a gente também tem um monte.
— Sim, mas vocês podiam usar de novo…
— Não queremos, não. Temos muitos.
— E o que eu faço com esse monte de pinos?
— Joga fora, ué!

O besta sou eu, que perco tempo com reciclagem, reutilização, consumo consciente. Essas coisas não vão dar certo nunca. Mas a Natureza vai dar um jeito. Vai, sim.

Sabendo que hoje, 27 de outubro, é aniversário do John Cleese (69 anos) e que também seria aniversário de Graciliano Ramos (116 anos), escreva uma dissertação em prosa (não me venha com poesia porque eu não aturo isso!) com uma lauda (no mínimo) comparando as duas personalidades, encontrando semelhanças entre elas e especulando porque a obra dos dois me infuenciou tanto. Ao final, ponham as redações sobre a mesa. E enfiem as maçãs no cu.

Não sei o que acontece com meu blog lá dentro dos mecanismos do Google, mas percebo que ele é… como dizer?… um blog privilegiado. Primeiro, isto aqui continua sendo a Meca do cu.
— Quero cu! — diz o pequeno bastardo.
— Cu? — pensa São Google, cofiando a barba e ajeitando os óculos num empurrãozinho nariz acima — Ora, cu é com Branco Leone — conclui.
E lá vêm as hordas em peregrinação. Eles que se ajoelhem pra rezar, que eu lhes mostro uma coisa…
Segundo, a velocidade com que o Google descobre o que escrevi é de se notar. “Jaqueta roxa”, por exemplo, expressão que escrevi anteontem no texto sobre o Klaus Kinski, já ontem mesmo figurou como resultado de busca.
Mas o “melhor” continua sendo a qualidade das pesquisas que fazem os pára-google-quedistas que aqui caem. E eu, sempre no afã de ajudar, não consigo deixar de responder às que acho melhores.

panda albino
Experimentou procurar por “urso polar”?

anal no cu
Mas… onde mais poderia ser?

como fazer sexo anal
É preciso um pinto e um cu que não pertençam à mesma pessoa. Ou não, sei lá. Mas como sei que aprender coisas lendo não é o forte da canalhada, aproveito para postar um vídeo deveras educativo.

como tira a orelha de albano
Eu sei que uma das minhas não funciona direito, mas deixa ela aqui, faz favor.

conclusao filme babel
“Pobre só se fode, em qualquer país do mundo.”

cono se escrever no provão
Estou com um mau pressentimento sobre o resultado desse seu provão…

cus para sexo
Eu não paro de me espantar com essas buscas…

doenÇas venerica
Agora me diga se burrice não pode ser considerada uma Doença Sexualmente Transmissível.

foto da bunda da advogada que comi na locadora
Sensacional. O cara acha que o Google é o Grande Irmão. Não ainda, seu babaca.

fotos caseiras de gordo pelados
Não me provoca, não me provoca!

marco de cu ao léu
O único Marco que conheço é o Marco Aurélio. E a partir de hoje, só o chamo de Marco ao Léu.

mulher com dois cu
E isso serviria para?

o que é monetização
É blogar como Monet.

pode levar notebook pro banheiro?
Pode, mas não vá grudar as páginas dele uma na outra, hein?

pode ter um livro diario sem lançamento
Pode. Aliás, deve.

porque homem gosta tanto de bunda?
Porque, quando olha, não se lembra do recheio.

que fazer segunda à noite?
Sei lá. Que tal uma pesquisa imbecil no Google?

situação atual de nelson nedi
Considerando que todo mundo encolhe um pouco quando fica velho…

sutaques mineiro
Mais ainda? Já não lhe basta?

videolog fotos caseiras enviadas
Videolog de fotos? Não prefere um filme pra assistir no rádio?

vou ver TV
Já vai tarde…

Sabe aquela piada do cara que telefona pro advogado, e a secretária informa que o homem morreu? Daí o cara liga de novo, e a secretária diz de novo. Daí ele liga de novo, e a secretária, de novo, repete a informação. Na quarta vez, a secretária, já sem paciência, pergunta:

— Mas, senhor, eu já não lhe disse que ele morreu?

O cliente, segurando o riso, responde:

— Me desculpe, dona, mas é que me dá uma alegria tão grande ouvir a senhora dizer isso…

Pois é, isso aconteceu comigo hoje.

Mas eu só telefonei uma vez!

Não sou muito chegado a mudanças. Entre todas as possíveis (e são muitas!), a que mais me incomoda, talvez, seja a de faxineira. Puxa, a antiga estava lá, trabalhando direitinho, já sabia onde podia e não podia mexer, já tinha aprendido que fios elétricos não são feitos para enroscar na vassoura, que a mangueira da máquina de lavar despeja na privada e que não deve ser removida de lá enquanto a lavagem não terminar, já tinha aprendido que eu detesto chão encerado porque detesto escorregar e, principalmente, já sabia o que é e o que não é lixo numa casa em que isso nem sempre é muito claro por motivos diversos e que não vêm ao caso. Mas a faxineira anterior era boa demais pra ser apenas faxineira e foi alçar outros vôos, e bem merece que tenha sucesso. Enquanto isso, eu, um pobre patrão…

— Bacana essa estante, hein? Grandona.
— É.
— Por que os livro tá tudo no chão?
— Porque eu acabei de fazer a estante, ainda não tive tempo de arrumar.
Ela alisa umas das prateleiras com a palma da mão.
— Aqui eu passo lustra-móveis, né?
— Não, é melhor…
— Óleo de peroba, né?
— Não, sabe, é que…
— Cera?
— Se você me deixar terminar a frase, garanto que consigo explicar.
— …
— Não precisa passar nada. A madeira já está tratada, basta tirar o pó. Se você passar alguma coisa sem tirar os livros, a madeira embaixo deles vai ficar mais clara e, portanto, desigual. Se você tirar os livros, não vai conseguir pôr tudo de volta no lugar certo. Daí, o melhor é não passar nada mesmo.

Silêncio sepulcral, olhos descrentes. Eu não perco mesmo a mania de dar explicações enormes e inúteis. Bastava um “não passa nada”, e pronto. Mas eu não aprendo. Para mudar de assunto, pergunto:

— O que você vai fazer de almoço?

A antiga faxineira cozinhava. Com isso, eu não precisava umbigar o fogão em dia de faxina, até porque a cozinha fica beirando o intransitável com a bagunça provocada pela arrumação. Mas esta:

— Nada. É o senhor que vai cozinhar.

Digamos que eu até admire a franqueza e uma eficaz exposição de pontos de vista, mas… bem…

Primeiro dia de trabalho, não podia ser de outra forma: pergunta atrás de pergunta.

— Onde tem sabão?
— Cadê as buchinha?
— Não tem bassoura de pêlo?

E cai coisa no chão. Não quebrou.

— A dotôra tem avental?
— Tem uns quatro, acho.

A “dotôra” é médica e, como sói a esses profissionais, usa avental. Mas não era isso que ela queria. Procurava um para ela mesma, “pra mim num molhá a barriga, sabe?”. Por pouco, quase começo a explicar que, nesta guerra, é o soldado que traz a espingarda, mas paro a tempo. Ela não vai me pegar de novo. E seguem as perguntas:

— O que eu faço com esse caixote? — apontando para minha… como dizer?… horta.
— Ela [a “dotôra”] usa essa sapataiada toda?

E cai coisa. Não quebrou de novo.

— Como eu baixo a janela do quarto? Queria jogar água nela. Tem mangueira?
E eu só pensando se ela pretende fazer isso pelo lado de fora do quarto.
— A descarga do banheirinho lá fora emperrou, é assim mesmo?

E cai coisa. E mais coisa. Ai, meu Deus, um terremoto! Agora quebrou! Foi-se o vidrão, um vidrão enorme, onde eu faço… quer dizer, fazia minha conserva de pepino. O vidro em que minha mãe fazia a mesma conserva. Um frasco histórico. Não me lembro de viver sem ele por perto. Daqui pra frente, não será assim.

— O senhor pode descontar do meu salário, viu?

Se eu fizesse isso tomando por base o valor sentimental, ela ia trabalhar de graça por dez anos. Melhor deixar pra lá. E dá-lhe pergunta:

— A que hora chega a dotôra?

Logo, eu espero. E toca a cair coisa no chão. Faço o almoço. Macarrão à bolonhesa. Um panelão tamanho caserna. Faço meu prato, vou comer no quarto, aviso que o grude está pronto. Pausa na demolição. Escuto a panela sendo aberta. A panela sendo fechada. O tlic-tlic do garfo no prato. O prato sendo lavado. Já? Não é possível. Ou a mulher não come, ou come feito um diabo da Tasmânia. Falta meia panela de macarrão: opção 2, o diabo da Tasmânia. O que, em parte, explica a demolição.

— Você come meio depressa, não?
— É, como. É o meu defeito, sabe?
— Pois é… — sorrio — todos temos que ter um.

Hoje de manhã, quase me arrebento ao entrar no banheiro: o chão estava encerado, liso como gelo. Meu aparelho de barba sumiu e, estranhamente, só pôde ser encontrado no fundo do armário, junto com o estoque de sabonetes. Minha mulher escovou os dentes com a minha escova: o diabo da Tasmânia trocou as duas de lugar, e a “dotôra” não reparou. Infelizmente, eu raparo nessas coisas. É o meu defeito, sabe?

Não sou um cara de riso fácil, mas esses pára-google-quedistas conseguem literalmente me tirar do sério. Depois que publiquei este post, virei a Meca do mangalho, e todos os tarados e devassos da rede passam por aqui diariamente em peregrinação. (Eles que se abaixem pra rezar, que eu lhes mostro uma coisa.) Hoje, por exemplo, me aparece um querendo “abecedalho em japonês”, outro coitadinho com o “prepúcio irritado”, e o melhor de todos, querendo descobrir “como comer um cu de cachorro”.

Não vou responder a isso sozinho. Simplesmente, não consigo. Aproveito então para pedir a ajuda de meu estimado leitor para colaborar na lista de respostas à dúvida do perturbado doente. É só escrever pelos comentários. E fique à vontade. O blog não é seu mesmo, pode dizer o que quiser. O autor da melhor resposta ganha uma ovelha inflável.

Respostas:
1) Comece convidando o bichinho pra jantar.
2) …
3) …

Atrás de mim, na fila, o homem resmunga baixinho:

— Caralho, puta merda…

Disfarçando enquanto coço um olho, viro-me para o sujeito, a ver do que se trata. Ele mira irritado seu celular enquanto aperta-lhe as teclas com força, como se isso fosse empurrar sua ligação mais para dentro dos circuitos e, talvez, fazê-la completar-se. Não sabe ele que, por algum motivo, os telefones não funcionam direito dentro da agência do correio aqui do bairro. Ou é o concreto das paredes, ou a baixada onde fica a loja, qualquer coisa ali faz com que o sinal caia pela metade quando está bom, e a zero quando está ruim. Dois passos fora da loja, o mundo é seu pelas despenadas asas de sua operadora; dois passos dentro, e você está emparedado vivo.

— Mas que porra de um caralho… — continua o homem, cada vez menos baixinho. E eu quieto. Eu sou assim, quietão.

— Pra puta que o pariu, que celular de merda… — segue ele, tateando em busca das palavras mágicas que o libertarão da danação do silêncio eterno.

A fila anda e, dois passos à frente — e ao acaso — a ligação se completa:

— Mãe? — grita animado — A bença, mãe! — grita mais ainda, deixando a nós (eu e a fila) perplexos com tamanho respeito e religiosidade.

— Tô aqui perto, mãe! Tem almoço pra mim?

Pronto, está tudo explicado: era fome, coitadinho. Boca suja do caralho.

“2001 Uma Odisséia no Espaço resumo”
(Veio ao lugar certo: aqui, as partes 1, 2 e 3. Fui eu que fiz.)

“96 horas sem fumar”
(Parabéns.)

“Abecedalho”
(Vide “Cabeçário”, abaixo)

“Acervo de fotos caseiras”
(Aqui.)

“Apresentação de um blog”
(“Muito prazer!”)

“Bazar do Valter”
(Porra, Valter, vai fazer um site ou não vai?)

“Blog do bairro de Moema”
(Conheço este. Bem, ao menos o autor mora lá.)

“Cabeçário”
(Vide “Abecedalho”, acima.)

“Cliparts pensativos”
(mmm… hein?)

“Como pesquisar frase corretas”
(Assim, não.)

“Como se chamam os colecionadores de guar”
(Guarfilistas.)

“Curso de pastor”
(De cabras? De ovelhas? Alemão?)

“Ditados nordestino”
(“Um jumento e um blog logo se encontram. Aqui.”)

“É bom ser baixinho porque”
(…o cu fica mais perto da boca.)

“Fotos de homens dando o cu”
(Cu não é tudo igual? Ah, tem uns cabelos, né?)

“Frase correta: não trabalho ao sábado”
(Corretíssima!)

“Hoialties”
(Uma decohência de copiháit.)

“O caso poltergeist de Suzano”
(Eu tinha esse livro! Será que joguei fora?)

“O que disse Lavoisier”
(Um monte de coisa, fofo!)

“O que fazer na segunda a noite”
(Não sei. Mas sei o que não fazer: buscas no Google.)

“Psicopatas Osvaldo Gonçalves”
aqui mesmo!)

“Qual a doenças causada por caixa dágua”
(Derrame.)

“Rasgar livros”
(Aqui.)

“Resumo livro como mandar a tristeza embora”
(“Xô! Xô!”)

“Sou baixinho”
(Ora, foda-se!)

Pobre do país em que um babaca se sente à vontade para correr com sua (?) Ferrari dentro da cidade ao ponto de perder o controle e esboroar-se pelas tabelas.
Pobre do país em que o mesmo babaca, ao perceber que está sendo filmado por uma equipe de reportagem, sente-se igualmente à vontade para dar uns tabefes no operador de câmera.
Pobre do país em que o policial que atende à ocorrência consegue separar a briga mas dispensa o agressor logo em seguida, por não saber quem é o pai daquele babaca e quão acima da lei eles (o babaca e o pai do babaca) estão, e ele prefere não se arriscar. Se o agressor fosse preto, vá lá. Assim, rico, nem pensar.
Pobre do país em que um assunto desprezível como um esbarrão com uma Ferrari dá tanto pano pra manga. E revela tanto sobre uma sociedade.

(Abre aspas) Esta simpática senhora de 80 anos é a jornalista Helle Alves, única brasileira a ter presenciado a chegada do corpo de Che Guevara em Valle Grande, na Bolívia, há 40 anos. Acompanhada do fotógrafo Antonio Moura, dos Diários Associados, furou a imprensa mundial (que estava reunida a 200 km dali, em Camiri, para acompanhar o julgamento de Regis Debray) noticiando a morte de Che para o mundo inteiro.
Revoltada com as distorções feitas pela revista Veja, esta semana, ela escreveu uma carta à redação da revista. Foi entrevistada por 1 hora e meia, e só saiu um pequeno box, insinuando que era uma “mistificadora”.
Fui conversar com ela, e fiz uma entrevista para o programa ABCD Maior em Revista. Quem quiser ouvir o relato dessa grande mulher, assista ao programa no domingo, 14/out, na Rede TV!, às 10 horas da manhã.
Daniel Brazil (fecha aspas)

Quanto mais o tempo passa, mais percebo que ser espinafrado pela Veja é pré-requisito para eu gostar da pessoa. Rede TV!, 10 da manhã. Eu vou.

+ Aos estranjas e atrasados: o programa fica disponível no site, em janela pequena (bem pequena), durante a semana seguinte à exibição na tv.

Em 16 de abril deste ano, o amigo Marconi Leal publicou um tal texto no seu blog. Leia, que é muito bom. Marconi Leal também publica, com alguma regularidade, uns textos no site do jornalista Fausto Wolff. De graça, segundo ele, mas não tenho nada com isso, e sei bem como são essas coisas. Até aí, tudo bem.

Hoje, 30 de setembro, o citado jornalista estica as costas, estala os dedos, mete um preâmbulo no tal texto e publica tudo no Jornal do Brasil, tomando apenas o cuidado de revisar parte da “gramática” do bandido protagonista (refiro-me ao bandido-personagem). Outros cuidados — como dar crédito, citar a fonte, dizer quem é o autor verdadeiro do texto — ah, pra quê? Excesso de cuidado é neurose.

Xingar, não pode. Mas posso perguntar: que parceria é essa? Eu publico, tu escreves, eu recebo? Que porra de verbo! E outra: um cara com o currículo de Fausto Wolff precisa disso? Ah, foi homenagem! É isso! Ô, Marconi, deixa de ser chato! Você foi homenageado. Parabéns, Marconi.

Fico até com vergonha.

“Nataniel, escritor fracassado, decide suicidar-se. Carrega o revólver, coloca-o a seu lado, na escrivaninha, e põe-se a redigir a carta de despedida. A carta se alarga, se ilumina, respira, vive. É a obra, a ansiada obra!
Para poder publicá-la, Nataniel não se suicida.
Trata-se, agora, de encontrar editor. É quando Nataniel descobre que não devia ter desistido do suicídio.”

Glauco Mattoso
(Não conhece?? Onde você andou nos últimos 30 anos?)

desenhos para colorir no fundo do mar
Xi, cara, tem certeza? Vai borrar tudo.

pesquisar uma frase com a palavra mau
“Mau dita ora em que eu abri um blog.” Copie e mostre pra professora, ver o que ela acha.

como se escreve a palavra mendingo
Não é assim.

Regra dos porques
Por que você quer saber? Diga-me o porquê. Porque, caso contrário, eu não digo. (Entendeu, ou quer que eu desenhe?)

desenhos sem pinta em branco
Desenho sem pinta? Ah, desenho sem pintar! Vá aprender a escrever, jumento.

globo valeapenaverdenovo
Não, não vale.

dando a bunda
Não é aqui, não senhor.

fotos caseiras no banheiro
Tem essa. Serve?

meu navegador não entra em blog
Pouca sorte a minha. No meu blog, entrou.

tudo sobre um livro lido
Pois é, é bom se informar sobre essas experiências esquisitas. Onde já se viu, ler um livro assim, sem saber dos riscos que se pode correr?

fotos de palhaço para colorir
Basta uma câmera e um espelho.

publicar livros por conta própria
Opa! Veio ao lugar certo.

puta peluda
É a mãe, seu mal educado!

Durante o lançamento dos livros do Bia e do Alex, conheci a Olivia Maia. Chegou devagar, perguntou umas coisas sobre os livros (acho até que não a atendi direito por causa do movimento), e ficou por ali, batendo papo com a moçada. Soube depois, pelo Bia, que ela tinha uma experiência de publicação por editora, e que não andava lá muito satisfeita, por diversos motivos.

Quando escrevi o post anterior, tive vontade mas não me senti autorizado a tocar no caso dela. Não sabia se aquele era assunto privado, e não queria ser eu a botar na rede. Nesse meio tempo, um dia antes de eu tocar no assunto aqui, o Julio Daio Borges do Digestivo Cultural publicou uma entrevista que fez com ela, falando exatamente no mesmo assunto, sob o ponto de vista da Olivia.

O assunto está no ar.

Em dezembro passado, levamos as crianças na viagem que fizemos de carro à Bahia. Pedro, apesar de ser filhote de Leone, é o bom-humor em forma de gente. Entre sorrisos e disposições contagiantes, o nanico foi responsável por importantes adições ao adagiário e lendário familiar. Num exemplo, não houve banheiro de posto de gasolina que parássemos sem que ele, ao sair, não explicasse porque tinha usado a privada, e não o urinol dos adultos: “Eu sou baixinho!”, dizia sorrindo. Eu, sempre e em seguida, corrigia: “Você não é baixinho; você tem dez anos”. E ele ria. No posto seguinte, lá vinha ele da privada, puxando o zíper para cima, e explicando: “Eu sou baixinho”. E eu repetia a correção, talvez apenas para fazer minha parte para que ele sempre possa se sentir enorme, como realmente é.

Em dezembro próximo, fará três anos (três anos!) que eu batalho essa porra a que chamei de Os Viralata. Minha molecagem latente e a incorrigível irresponsabilidade que animam meus dias me fizeram criar um site a partir de uma idéia velha, tosca, quase boba. Gente boa que ficou sabendo disso chamou a empreitada de “ambiciosa”. Ambicioso (e burro) talvez fosse querer ganhar dinheiro com isso, mas tal idiotice nunca me passou pela cabeça. Minha idéia foi, ainda é e, se tudo seguir assim (ou não!), continuará sendo fazer um site que sirva de referência a uma busca por literatura independente. Em termos de Google, já consegui: o primeiro link que aparece quando se procura por Literatura Independente (com ou sem aspas) é do Uol, e só aparece porque é do Uol; o segundo link é Os Viralata. Vale visitar o resto da lista de links que aparece, porque dá pra ter uma idéia bem precisa da situação atual: só se encontra catedrático cagando regra e blogueiro inconformado e/ou trabalhando a respeito.

A mídia, a tal mídia, aquela que forma opiniões, só entra em cena pra falar merda. Não que os grandes jornais só estejam publicando bobagens sobre o assunto. O que me fascina é a incapacidade que eles têm de lhe dar uma cor diferente, mais real. Fala-se de escritores independentes e suas ações com o mesmo espanto que se fala do nascimento de um panda albino, ignorando que o escritor independente é tão velho quanto a Literatura. Mas que caralho, será que não dá pra falar do atual despontar de alguns escritores e ações independentes como sendo uma reação à merda estabelecida que domina o mercado literário?

Paula Lee, escritora brasileira radicada em Portugal, me conta que “aqui em Portugal tem se trabalhado para reduzir os preços dos livros, o que apóio. Os livros aqui custam entre 12 a 20 euros, os que estão acima disso afastam o público”. A Sombra do Amor, editora portuguesa que publica, entre outros, o sensacional Esquizofrenias de Bolso, tem seu catálogo inteiro entre 6,50 e 8 euros. Mas enquanto isso, no Brasil, terra de gente rica e letrada, vemos no Estadão de hoje: “Chama atenção o fato de uma edição de autor conseguir tal feito [ser exposta em livrarias] – em parte pela própria natureza das livrarias atuais, que chegam a cobrar das editoras para que um livro ocupe espaço nobre em suas preciosas estantes e vitrines.” O grifo é meu: alugar prateleira é da “natureza” das livrarias? Quando falo do tom das matérias, me refiro a isto: chama a atenção do repórter o fato de uma edição independente alcançar o Olimpo das grandes livrarias, mas não chama a atenção o fato de uma prateleira ser um Olimpo. A livraria aluga a prateleira, e pronto. É assim que funciona. Vamos ao próximo assunto. E o que isto causa no mercado? Ah, deixa pra lá. Melhor não falar nada para não perder anunciante.

Eu sou baixinho. Ao contrário do Pedro, eu sou mesmo baixinho. Minha média de visitas neste blog pouco passa de cem por dia. Eu não sou ninguém, ninguém me ouve. Alex Castro é baixinho. Biajoni é baixinho. Valter Ferraz, que está lançando um livro estupendo (por outro selo) é baixinho. Nós, estes citados, outros tantos, somos todos baixinhos diante disso tudo. Renego conglomerados, uniões, sindicatos, amontoados. Vou sozinho porque sou anarquista, e a anarquia é tanta que até o rótulo de anarquista me incomoda. Mas, porra, se você acha que a Literatura (independente ou não, tanto faz) merece cuidado, fale disso no seu blog, levante discussões sobre a lei do direito autoral, pergunte — a quem puder responder — por que um livro tem que custar 20% de um salário mínimo, por que uma distribuidora ganha quatro vezes mais que um autor, por que no Brasil há mais editoras que livrarias. Esse monte de baixinhos, fazendo alguma coisa além de cuidar dos próprios umbigos, pode fazer diferença se resolver morder. O cachorro que um dia me mordeu a bunda… era baixinho. E doeu.