Numa das primeiras aulas de Marketing que tive (não é preciso me xingar por isso, eu mesmo o faço todos os dias, obrigado), a professora trouxe um causo para ilustrar a aula que, seja ficção ou realidade, foi bem contado e aprendido (tanto, que o estou repartindo agora, vinte e tantos anos depois). Disse ela que, certa vez, uma fábrica de chinelos de borracha resolveu descobrir porque não vendia nada que prestasse na Bahia. Uma pesquisa elucidou tudo: em terras baianas, quem usava o tal chinelo era mulher ou viado. Não se sabe por que, homem que usasse aquilo ficava por lá, para todo o sempre, com a pecha de boiola.

Tentando então aumentar as vendas na região mudando a imagem do produto, a agência se resolveu a um expediente que havia de se mostrar eficaz: contratou um lutador de boxe local, conhecido por seu caráter macho e atitudes violentas, e pôs no ar um comercial em que o tal sujeito aparecia usando os tais chinelos. Com efeito, a imagem foi mudada, porque daí em diante todo mundo começou a achar que o tal boxeador era viado.

Mas o assunto é outro. O Seu Obama chegou animado, foi não? Tão animado que, a cada nova notícia, aumenta meu temor por sua vida. Mataram o Kennedy por muito menos, e olha que o Kennedy era branco. Contrariando o ditado racista, a coisa que o homem mais faz é limpar a merda que o jumento anterior deixou espalhada pelo mundo. Agora, uma semana depois de empossado, o cabra passa a mão no telefone e, já que se anda falando tanto de combustíveis menos poluentes, liga pra Mr. Lula, presidente do país que usa álcool como combustível há pelo menos 34 anos. Esperto, o moço percebeu que não se joga fora 34 anos de tecnologia. Mesmo que seja tecnologia brasileira. O que vai sair disso, não sei. Mas que o homem tá fazendo diretinho, ah, isso está.

Pois então, hoje de manhã, os sites d’O Globo, d’O Estado e do Terra davam, em letras tão garrafais quanto a Internet permite, a notícia do telefonema. O site da Folha, bem… a notícia estava bem lá em baixo, em letrinhas de bula, sabe como é, papai não deixa encher a bola dos oponentes. Capaz que a Veja desta semana imprima a notícia numa folha à parte e se esqueça de encartar na edição.

Agora é questão de tempo para que Obama fique — ao menos para os paulistas — com fama de cachaceiro, corrupto e analfabeto.

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