Ele falava de perto. Começava a falar, e chegava perto. E mais perto. A princípio, apenas se inclinava um pouco, mas como, invariavelmente, o outro desse um passo atrás, ele dava um passo à frente a compensar. Num corredor, a conversa começava numa ponta, terminava na outra.

Ela enxergava mal, muito mal. Sem os óculos grossos — muito grossos — era quase cega, só via borrões. Um dia, conheceram-se. Casaram-se em pouco tempo: ela, com o primeiro que conseguiu enxergar; ele, com a primeira que não fugiu.

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