Quem me conhece sabe que sou um cara sempre atento a todas as novidades. Não passo sem os últimos lançamentos de eletrônicos, vou a todos os lugares da moda, só me visto com o que sai nas capas das revistas de moda européias e a decoração da minha casa seria considerada exemplo de design moderno, isto, é claro, se eu deixasse alguém entrar aqui. Ah, sim: assisto a todos os filmes na pré-estréia. Foi por isso que, nos últimos dias, aluguei e assisti Lost. A primeira temporada, claro.

Ah, que vontade de fazer um trocadilho idiota com o nome do… do… como dizer?… com o nome disso.

Tá, eu sou do tempo da bóia preta. Sou do tempo em que os anúncios de tinta pra caneta começavam com “Prezado Senhor” (nem precisava tanto, bastava dizer que sou do tempo da caneta tinteiro). Antes, acredite, criança, os filmes precisavam ter história, sabe? Esquisito, não é? Mas era assim, fofo, as coisas eram assim. Não bastava só uma fotografia perfeita, uma trilha sonora ótima, atores bonitinhos e um susto e/ou enigma a cada cinco minutos. Não! Era preciso uma história, caralho! E havia um desenvolvimento padrão. Sim, não era possível sair cagando na tela tudo o que você quisesse, na hora em que quisesse. Deixar de explicar alguma informação lançada era passível de empalamento como punição ao estelionato. Sim, porque fazer um filme à base de teasers (e não explicar NENHUM deles) não passa disso: estelionato. Obrigar a comprar e não entregar é isso. Estelionato.

Pra puta que pariu o Lost. Aquilo não é um seriado, é um sinal dos tempos. Alerta! Cuidado! Acabou-se a dramaturgia! Ah, tem mais temporadas que explicam a coisa toda? No seu cu! Entendeu? No seu cu! Não chego nem perto da continuação dessa bosta. Seqüência de bosta é bosta.

Socorro, meu São Billy Wilder!

(Eu até ia fundamentar minha opinião, sabe? Ia falar de um monte de coisas, incluindo os conceitos de honestidade artística e desafio às regras como caminho da evolução da arte mas, cá pra nós, de que ia adiantar? Se você gosta de Lost, não ia mudar sua opinião; se não gosta, eu não preciso dizer nada. Resolvi xingar, e pronto. Dá menos trabalho e alivia muito mais.)

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