Outro dia, lendo o blog do Polza (agora em nova embalagem, já foi ver?), encontrei um texto em que ele falava da horta que havia resolvido plantar em casa — e “casa” é maneira de dizer porque ele, assim como eu, mora em apartamento. No tal texto (cujo link não consigo encontrar porque o post sumiu na enxurrada — o cara escreve feito um coelho), o rapaz ressalta, além do prazer sentido ao comer sua própria salsinha, os valores que anda aprendendo com a tal horta e com seu cultivo. “Que coisa!”, pensei eu, “encontrar este texto bem no dia em que decido fazer uma horta no apartamento”. Sincronias, sintonias, sei lá, mas os indianos (ou algum povo daquelas bandas, todos pródigos em interpretações irreais da realidade) acham que as idéias são coletivas, flutuam por entre nós: uns sentem algumas, outros não; outros sentem outras, alguns não. Como um peido na praia.

A idéia — a minha e a dele — pode ser a mesma mas, sobre as hortas que dessas idéias brotam, diferenças há, é claro. Começa que a dele já existe, a minha não. A minha faz parte de um grande, enorme projeto de agricultura sustentável que, por força de toda a sua complexidade, teve que começar anos antes de eu sequer pensar na aquisição de qualquer semente. À parte o pé de manjericão que já viceja (e que já temperou muito molho de tomate), e de três caniços de feijão-rajado que plantei por piedade de alguns heróicos feijõezinhos que deram pra brotar dentro de suas vagens, minhas instalações hortifrúticas ainda não passam de uma composteira e de alguns vasos empoeirados.

Sim, uma composteira. Não há horta sem compostagem. E sou de uma família de tradicionais compostadores. Meu pai sempre compostou, e compostava muito bem. Minha mãe, até hoje, se descuidar, composta. E não fosse o fato de você sequer imaginar o que isso significa, eu poderia continuar o texto. Está bem: compostagem é o processo que transforma resíduos orgânicos em húmus. Em outras palavras, é o jeito de transformar lixo em adubo. E é lindo, acredite. Você joga num barril toda a porcaria que produz na pia da cozinha, espera uns dois meses, e retira de lá um maravilhoso composto orgânico (daí o nome), escuro como seu passado e de alto poder nutriente para as plantinhas de sua horta. Entenda por “toda a porcaria que produz na pia da cozinha” as cascas, talos e folhas de frutas, verduras e legumes, cascas de ovos, borra de café e mais alguma coisa assemelhada que desejar adicionar. E vá seguindo as instruções e seu instinto. Compostar também é uma questão de instinto: se estiver seco demais, adicione água; se estiver molhado demais, adicione terra ou serragem; se a composteira esquentar, você está no caminho certo; se feder, você errou alguma coisa, mas sempre haverá jeito de consertar. E a minha fede! Fede como seiscentos diabos saídos de um ônibus Manaus-Florianópolis (via Bogotá). Puta merda, o que aquilo fede! Não fosse a piada pronta, chamava o barril de combosteira.

Mas como as idéias estão no ar — assim como as drosófilas que pairam sobre minha composteira que, por causa delas, está seguramente coberta por um pano —, encontrei hoje no Guindaste da Carol Costa um link pra matéria dela na Bons Fluidos (nome que não deixa de ter certa graça, se considerarmos o assunto) que trata, justamente, de como NÃO ter uma composteira. A dela não fede, mas virou um berçário. E já grudou no chão. Mais um pouco, vai dar pra plantar um filme de terror. Tadinha da Carol, onde ela foi se meter…

E você? Quer dar uma compostadinha? Querendo experimentar, comece por aqui. Junte-se a nós. Se a idéia pega, em pouco tempo pode até rolar um meme.

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