Ando meio chateado com essa história de blog, e chateado é a palavra certa: estou achando tudo muito chato. Não só o meu: todos. Não só escrever: ler, também. Aliás, ler blog é coisa que nunca fiz direito. Nunca fui cliente de blog nenhum. Leio um aqui, outro ali e — dependendo do que descubro, dependendo da época, dependendo do tempo disponível — fico mais ou fico menos. Canso logo, o saco enche, e eu vou procurar outra coisa pra fazer.

Coisa pra fazer é o que não me falta. Os Viralata dá um puta dum trabalho. Ótimo. Dá tanto trabalho que acabo não fazendo tudo o que precisaria fazer para manter a agenda em dia. Agenda em dia é uma coisa que não tenho há anos. Uns vinte.

De uns tempos para cá, ando buscando — cada vez mais — o simples. O que é o simples? Ora, a pergunta contém a resposta. O simples é… o simples. Nada mais simples. Em cada atitude, em cada gesto do dia, vou buscar a opção mais simples. Lembrar de fazer isso em cada gesto, em cada atitude do dia, tá bom, pode não ser muito simples. Mas estou me acostumando.

O filósofo disse “o certo é o fácil”. Legal, esse filósofo. Mas eu não disse “fácil”. Disse “simples”. E nem sempre o simples é muito fácil. Comer, por exemplo. Comer fácil é ir na pastelaria que tenho aqui perto — sensacional, diga-se —, encher o rabo de pastel. Mas, depois, não é fácil aguentar a azia. Sai caro comer fora, mesmo que seja numa pastelaria. Ou padaria. Até mesmo na barraquinha de yakissoba que tem em frente à pastelaria. Sim, este é um bairro com pendores orientais. As pizzas, aqui, são de mussarera. Nada simples de se pronunciar.

Prefiro comer simples. Comer simples, na minha interpretação, é comer em casa. Para comer em casa, é preciso fazer a comida, o que não é muito fácil. Comecei comprando um fogão novo. Um fogão simples. Quatro bocas, forno sem estufa, bem simples. Meu dia passou a ter duas horas dedicadas à cozinha. Meu domingo agora inclui uma ida à feira. Eu gosto, me sinto bem naquele manicômio de gritos e cheiros e cores e carrinhos passando por cima do meu pé. É simples. Gosto da mulher das batatas, que me chama de “meu bem”; gosto da barraca dos temperos, e de cheirar as caixinhas em série, perguntando à vendedora o que está nas caixinhas que o nariz não identifica; gosto de ver a japinha de aparelho nos dentes e camiseta preta ajudando o pai na barraca de verduras; gosto de olhar os pés de acelga e me prometer que, dia desses, ainda compro um. É simples, mas não gosto disso tudo só por isso. Gosto porque é de verdade. A verdade está ali, pelo meio das barracas, na bacia do cego que vende limão, no “meu bem” da batateira, debaixo de um tomate, no olhar triste da preta que vende morcelas. Ótimas morcelas.

Mas eu falava de blogs. Ando meio assim com eles. Não sei mais para que prestam. Simples assim.

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