Numa só penada (das mais atrasadas, até deu tempo de o caboclo mudar o nome do blog duas vezes), informo a negrada que Daniel Brazil Primeiro e Único, já conhecido pela malta por seus comentários sempre próprios e esclarecidos, rendeu-se à blogosfera (demorou porque é baiano), e agora anexa mais esta atividade à lista que abrange as de roteirista, diretor de tv, escritor premiado (tanto, que até dá raiva) e cachaceiro.

No embalo, copio um pedacinho do que ele disse sobre o Incompletos.

“Bem escrito, fluente, urbano e neurótico, não padece dos males mais comuns dos jovens escritores internáuticos: o giro em torno do próprio umbigo ou de personagens superficiais e esquemáticos. Albano (…) vai fundo em poucos parágrafos, em contos curtos e afiados. A história mais longa revela um personagem fascinante, misto de desencantado-com-a-vida com cínico profissional, com fissuras emocionais aqui e ali, que disseca a mundanidade de um evento social ao mesmo tempo em que persegue uma lembrança feminina. Muito bom.”

E já que estou no assunto, Nicomar Lael continua a destrinchar o livro, superando-se a cada frase.

(…) Porém, toda a admirável técnica do sr. Ribeiro no manejo das personagens e seu preciso estilo seriam embalde(1), caso não houvesse em “Incompletos” aquilo que, como disse antes, é uma das inúmeras pedras de tropeço de nossos coevos(2): humor, ironia, wit(3). O humor do sr. Ribeiro, já conhecido de seu livro de crônicas “Os melhores (e alguns dos piores) textos de Branco Leone” se mostra nesta nova obra de uma sofisticação quase pedante. Daí ter dito que o autor segue após Machado.
Também de Machado é sua atenção à micropsicologia, o delineamento do caráter dos protagonistas ou de sensações e sentimentos através de detalhes de pensamentos ou impressões fugazes, aparentemente gratuitos. E os diálogos? Os diálogos do sr. Ribeiro parecem querer dizer: “Eis aqui, rabaças (4) da Mercearia São Pedro, como é que se escrevem diálogos.
Há defeitos no livro? Inúmeros. Em primeiro lugar, o sr. Martins Ribeiro deveria deixar o trabalho de divulgação a cargo de outra pessoa. Sua incompetência para tal é assustadora. Intenta vender a obra como de “contos de sacanagem”, quando a única sacanagem nela é sua capa de péssimo gosto.
Em alguns contos, o final peca pelo excesso. Quando uma frase diria tudo, talvez por uma compulsão própria dos surdos, o sr. Ribeiro inventa de enfiar ali umas tantas graças despropositadas. Por fim, também ebiamente(5), replena(6) as páginas de turpilóquios(7) deslocados, às vezes dando-nos a impressão de que estamos assistindo a filme nacional da década de 70.

Glossário

(1) Embalde- em vão
(2) Coevos- contemporâneos
(3) Wit- perspicácia
(4) Rabaça – pessoa sem graça
(4) Ebiamente – hein?
(5) Replenar – abarrotar
(6) Turpilóquios – bucetas

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