Extratos de uma conversa por e-mail, cheia de notas de rodapé, entre Paulo Polzonoff Jr., Marconi Leal e Branco Leone.

BL [1]: — E nosso cangaceiro [2], entregou-lhe o verdinho? [3]
PP: — Não, Branco. Ainda não consegui ver o cangaceiro.
BL: — Além de cangaceiro, é viado! Opa! Cê tá aí, Marconi?
ML: — Em Pernambuco não tem isso de… como é mesmo? Veado, né? Lá não tem disso.
BL: — Chamar viado de veado é coisa de viado. A rosca, vá lá. Mas entregar o livro, nada!
ML: — Quanto a mim, sigo o estabelecido pelo pessoal da Casseta Popular: todo veado (ou viado) é surdo. [4]
BL: — Eu tô me sentindo como o tio que tem três bolas e tem que aturar o sobrinho que não pára de falar no assunto na frente das visitas. Passa fora, moleque excomungado! Uma coisa me conforta: Marconi ficou tão contente ao descobrir que sou surdo de um ouvido, que isso até me comove.
PP: — Vc é surdo de um ouvido só? :-)))))) [5]
BL: — Xi, agora o outro achou graça também… Danou-se. Então tá, a explicação completa do ocorrido está no texto “Na Otorrinolaringologista”, quase no final do meu primeiro livro. Já que vocês querem tanto, vão lá dar risada.
PP: — Acho que li o texto do otorrino. Mas eis o mal da crônica: a gente esquece.
ML: — Crônica, não. Ensaio. [6]
BL: — “Se não tem passarinho, não é crônica.” [7]
ML: — Uhuh. Tomou no cu. [8]
BL: — Ah, não me mete na rixa de vocês! Eu sou deficiente físico.

 

Notas:
[1] Dirigindo-se a Paulo Polzonoff.
[2] Marconi é pernambucano.
[3] Referência ao livro Incompletos, adquirido por Marconi no lançamento para ser ofertado a Polzonoff, e que, até agora, não chegou a seu destinatário.
[4] Aqui, Marconi faz uma maldosa alusão à surdez (uni-lateral esquerda) que flagela Branco Leone há muitos anos e o faz pedir aos outros que repitam tudo o que dizem quando o ambiente é pouco propício à propagação sonora (e a aliterações como esta). Por exemplo, em lançamentos.
[5] É de reparar no tamanho do emoticon, proporcional á alegria da descoberta.
[6] Aqui, Marconi faz uma referência a este texto, escrito por Polzonoff e dedicado a Marconi, notório cronista.
[7] Branco Leone, mostrando toda a sua capacidade de síntese, resume o texto mencionado numa só frase.
[8] Marconi Leal fala a Polzonoff, em língua que ambos entendem.

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