Pois é. Nunca aceito convites para memes. Aproveito aqui para me desculpar com todos os que me incitaram a participar de algum, e eu, de maneira aparentemente insensível ou arrogante, declinei. O problema é que percebo, freqüentemente, que responder a memes é, para quem gosta, uma maneira dissimulada de expor lustro ou intimidades. Lustro, não tenho. Intimidades, se andasse a expô-las por aí, perderia boa parte da clientela.

Mas este, a que me convida Madame Bela, é irrecusável. Não pelo tema, mas pela hora em que acontece o convite: acabo de receber dois livros enviados por Milton “Queridão” Ribeiro, adquiridos durante sua mais recente viagem à Argentina. (Aliás, dia desses ainda falo aqui dos Verbeaters. Dá até a impressão de que tem que ser muito bacana pra ser do Verbeat.) Estava mesmo querendo falar dos dois livros, dizer “olha que bacana o que o Milton me mandou”, mas também tava pensando que isso podia soar um bocado idiota e/ou gratuito. Assim, com o meme, a oportunidade me desculpa.

Lá vou eu. Diz o meme:

1) Pegue o livro mais próximo
São dois, mas vou pegar o que está por cima.

2) Abra na página 161
Parece brincadeira, mas esta edição tem 160 páginas. A última, está em branco. A penúltima é o índice. Então, por minha conta, divido 161 por dois, arrendondo para cima e chego ao número 82 que… também é uma página em branco, divisória entre dois contos. Que merda! Vou, pois à página seguinte, a 83.

Não me conformo que errei uma conta tão tosca em público (161 : 2 = 80,5, não 81,5). Não fosse pelo meu amigo auditor e sua calculadora atômica, o erro passava. A frase correta, então, está logo abaixo.

3) Procure pela 5ª frase da página
Quinta frase ou quinta linha? Tá, entendi. Quinta frase… uma… duas… três… quatro… Achei.

4) Transcreva a frase para o blog
Se limpia la boca con la servilleta.” (Limpa a [própria] boca com o guardanapo.) Que bosta de frase. Mas quem não conhece, já fique sabendo: Carver é assim mesmo. Um amontoado de frases sem graça compondo um texto magnético. Quem o conhece, concordará. Carver faz colares de pérolas usando rolinhos de papel higiênico, tampinhas de garrafa, coisas assim.

Encontró un pijama en uno de los cajones.” (Encontrou um pijama numa das gavetas.) É… não mudou muito. Outra bosta de frase, que só serve pra comprovar o comentário feito anteriormente. Seja como for, o que é certo é certo, e a frase certa é esta. Só faltava alguém vir dizer depois que respondi nas coxas ao único meme que respondi até hoje. Isso, nunca!

5) Indique livro e autor
“De que hablamos cuando hablamos de amor”, título que, para quem não conhece o homem, soa absolutamente repulsivo, a não ser ao imberbe e punheteiro poetinha ou para sua espinhenta e sebosa musa. Mas quem o conhece sabe que o título (ao lado de “Três rosas amarelas” — também ofertado pelo Milton, também com 160 páginas! — e “Fique quieta por favor”) faz parte do processo de estranhamento, ingrediente e tempero que ele despeja aos montes nos seus contos. Indico não só este como também os outros livros citados, mais “Catedral” e “Short Cuts”, enjoadamente traduzido por “Cenas da Vida”, resultado da escolha que Robert Altman fez nos contos de Carver para realizar o roteiro do filme homônimo. É um livro-do-filme, e não o contrário, como é mais freqüente.

6) Passar o desafio para 5 pessoas.
Aí, é foda. Faço assim: quem quiser, abrace a incumbência e avise pelos comentários.

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