Lembro-me de pouca coisa com detalhes. Gente aos montes, todo mundo falando ao mesmo tempo, livros saindo a torto e a direito. Confusão em tudo, exceto na contabilidade. Alex Castro, chantagista profissional, percebendo o poder comercial da pedochantagem, instrui meus filhos para o corpo-a-corpo que deveriam impetrar sobre os que passassem por perto (ou nem tão perto assim) das mesas do lançamento. Quando dei por mim, Anna e Pedro, como moscas na bosta, colavam em todo desavisado que passasse por ali, compra tio, compra tio, mendigos mirins vendendo chicletes num semáforo. Deprimente. Cheguei a ver os dois agarrados às pernas do Inagaki que, por instantes, ficou sem saber o que fazer. Quase comprou os livros de novo, tendo-os.

A confusão tomou corpo, e aproveitei o embalo para vender também alguns dos meus. Doni, um dos best-buyers da noite, pediu que os moleques o autografassem, e não eu. Lá pelo final da bagunça, pude ler o que escreveram. Era algo como “obrigado por ter comprado este livro, assim a gente pode ir para casa comer”. Uma coisa triste.
Queria conseguir listar as pessoas que apareceram por lá. Nem arrisco. Ia faltar metade e, da outra metade, eu não me lembro dos nomes. Mas foi legal. Por mim, tinha um desses por semana.
Na foto (que, na verdade, é uma montagem de quatro fotos), El Castro limpa perdigotos dos óculos com seu característico olhar de “hein?”, ao lado de parte da turba. O Bia, eu não sei onde estava. A esta altura da festa, por baixo de alguma mesa, sei lá.

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