Agora foi Maurício Pierro que mandou foto, e está bem legal. E me lembrei de uma historinha.

Corria o ano 2000 quando, na sala de espera de um cinema da Paulista, encontrei alguns exemplares da Velotrol em cima de um balcão. Era uma revista pequena, fininha, muito inteligente, com textos variados de malucos multi e interdisciplinares, boas ilustrações e diagramação impecável num acabamento não menos. E grátis, tipo take one. Catei uma, consegui outras depois, tenho aqui uns seis ou sete números das parcas oito edições — acho eu — que vieram à luz.

O site da revista, que reproduzia os textos impressos pelo meio de milhões de outras doidagens, contava com minha visita regular, e chegou a ser a página de abertura do meu navegador. Um dia, inventaram lá uma espécie de concurso: você mandava um texto ou uma foto ou uma ilustração e, se eles gostassem, publicavam num mural do site; se gostassem muito, publicavam até na revista impressa. Mandei um texto (uma espécie de conto — Espera — escrito em guardanapos, num boteco, enquanto uma dona não vinha — e não veio, a vaca!), e foi publicado. Pouco depois, conforme os ditames de meu proverbial pé-frio, a revista baixou as portas, e meu texto ficou apenas na Internet, e só.

Mas no mesmo mural, que ainda ficou no ar por mais de um ano, também ficou publicado um desenho, chamado Mesabar. A semelhança da imagem com a situação do meu pseudo-conto era tanta que não resisti: escrevi um e-mail para o autor, pedindo a ele que, caso eu apresentasse meus contos a alguma editora, me deixasse usar a imagem dele na capa, para melhorar o projeto. Ele respondeu logo, dizendo-me que ficasse à vontade. Nunca cheguei a tocar o tal projeto, mas conservei comigo o desenho — que reproduzo agora sem autorização — para admirá-lo de vez em quando e me lembrar que já deveria ter mandado esses contos para editora.

Há pouco tempo atrás, eu já veterano na Quarteirão Paulista, fui informado pela editora que o ilustrador dos meus textos ia mudar. Não tenho nada com isso, cada um toca seus negócios como deve e precisa, mas confesso que o fim da parceria com o amigo Rogério Vilella me incomodou um pouco. E quem seria o intruso a assumir um cargo tão importante para mim? Soube depois que não outro que o mesmo sujeito do começo deste texto, Maurício Pierro, por absoluta coinciência.

“Mundo pequeno”, dizem uns. Não sei, mas que a renda é muito mal distribuída, isso é. Por mim, tudo bem, porque a coincidência me fez participar de uma dupla que produz belas páginas, e hoje, se o Maurício não é um grande amigo, foi só porque a gente ainda não conseguiu se encontrar pessoalmente, apesar dos anos que trabalhamos juntos.

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