Na época em que tinha o blog no Blogspot, tinha também um(a) leitor(a) que vinha todo dia — quase sempre duas vezes por dia —, dava sua espiadinha e caía fora. Reparei nele(a) por duas coisas. Ele vinha de Anjomachi (Aichi, Japão) e, além disso, tinha uma particularidade interessante: entrava no blog de doze em doze horas, isto é, duas vezes por dia e sempre à mesma hora. Olhando o SiteMeter, eu ficava aqui imaginando coisas, o dekassêgui com saudades do Brasil que chegava ao seu cubículo na Toyota, ligava o computador, lia o que eu tivesse postado (ou não, e quase sempre não), saía do blog, trabalhava feito um japonês e, ao fim do dia (doze horas depois, haja saco!), entrava de novo no blog para ver se eu tinha postado mais alguma coisa… e ia embora para casa.
Um dia ele(a) sumiu, e eu fiquei preocupado. Teria deixado de gostar de mim? Não. Fiquei feliz quando, duas semanas depois, ele(a) reapareceu. Ora, tinham sido apenas umas férias, como eu não tinha percebido? Ninguém é de ferro, nem mesmo os japoneses.
Discreto(a) como seus patrícios, ele(a) nunca deixou um comentário, nunca mandou um e-mail, nada. Engraçado é que, mesmo assim, eu fui me afeiçoando a ele(a), chamava-o(a) de “meu amigo no Zapón”. Quando via a bandeirinha na tela, dizia à minha mulher “olha lá, meu amigo do Zapón já veio hoje”. Ou então “preciso postar alguma coisa logo, meu amigo no Zapón deve estar cheio de entrar no blog e não ver nada novo”.
Agora que não tenho mais como ver estatísticas pelo SiteMeter, ando com saudade do meu amigo no Zapón. Se ele(a) ainda anda por aí, peço-lhe: mande o endereço por e-mail. Tenho um livro aqui pra você.

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