Eu e minha mulher vínhamos descendo a rua ao lado do parque e vimos uma moça deitada sobre o galho de uma árvore, olhando o céu, uma perna caída para cada lado, mãos postas como quem rezasse. Moro ao lado do parque há quase dez anos, já nem ligo mais pros malucos que andam soltos por lá. É incrível a quantidade de doido que meia dúzia de árvores é capaz de atrair. Meio quarteirão à frente, minha mulher diz:
— Alguém mandou que ela fosse se sentar num pau, a coitadinha não entendeu direito.
Essa frase era minha, porra!

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