Pois este contrabaixista de domingo, afeito ao rock e ao rhythm’n'blues, de Led Zeppelin a Pearl Jam passando por Tom Waits e Adoniran Barbosa, baixou um disco do Paulinho da Viola. Samba da melhor qualidade, a voz mais chique da música brasileira e uns cavaquinhos não menos lá por detrás.
Cavaquinho… Um violão com deficiência na tireóide, tadinho, seu tamanho inspira o cuidado que sentimos pelas crianças e por outros tipos de deficiente. Quatro cordas, cavaco e contrabaixo… Um com voz fininha, saltitante, de mosquito; o outro, vozeirão de trovoada. Tocar os dois valeria de muita coisa, incluindo a piada.
Tenho amigos no ramo. Falei com um e com outro. Um se dispôs a ir comigo à Teodoro Sampaio escolher um bom e barato; o outro me emprestou o dele, pra fazer um test-drive.
Peguei o nanico e o trouxe para casa. Fofo. Mas… nem só de carinho vive a disposição para um instrumento. Aquilo é um suplício. É botar o cavaquinho em posição e tentar acompanhar alguma música, sinto-me um Gulliver com paralisia cerebral. É como ter que cuidar de cem crianças hiperativas, duzentas ratazanas esfomeadas, é como retirar os espinhos do ouriço que perdeu a briga com o macho-alfa do bando de ouriços, ou tudo isso ao mesmo tempo. E rápido! Muito rápido!
Adeus, cavaquinho! Duas horas. Foi o tanto que durou minha carreira no instrumento. Volto ao meu bom e velho contrabaixo. Pesadão. Lento. Grosso. Feito eu. Tá, não como ninguém, mas estou no lucro.
Em tempo: Sim, este blog está parado. Agora você entendeu por quê?


21 comentários
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julho 19, 2009 às 12:02 pm
joaoejeremias
“Um violão com deficiência na tireóide” é ótimo. “Um Gulliver com paralisia cerebral” também. E “é como retirar os espinhos do ouriço que perdeu a briga com o macho-alfa do bando de ouriços, ou tudo isso ao mesmo tempo. E rápido! Muito rápido!” é do caralho. Velho, tô esperando (ansioso, sem sarro) um livro novo teu, porra!
julho 26, 2009 às 9:27 pm
Branco Leone
Dia desses, Jotaérre, dia desses.
julho 19, 2009 às 7:18 pm
Mauro Castro
Não entendi: tu esperavas comer alguém tocando cavaquinho?
Há braços!!
julho 26, 2009 às 9:28 pm
Branco Leone
Não esperava comer ninguém, mas também não queria me foder… E foi o caso.
julho 20, 2009 às 12:07 pm
Badá
Eu sou péssima de ouvido. Mas hoje acordei com Erasure (Little Respect) na cabeça e de repente, me senti muito velha…
Não dá para tocar isso no cavaquinho.
julho 26, 2009 às 9:29 pm
Branco Leone
Badá, dá pra tocar qualquer coisa no cavaquinho. Mas depende de quem o toca. E deve não ser eu.
julho 20, 2009 às 12:54 pm
paulow
stairway to heaven no cavaquinho…. E você achava que ia dar certo….
julho 26, 2009 às 9:29 pm
Branco Leone
Stairway to hell, foi o que saiu…
julho 20, 2009 às 6:27 pm
Fábio Mendes
Vim aqui justamente para fazer o comentário do Mauro? Se não come ninguém com o baixo…
E só pra não perder a viagem, me lembrei daquela infame piada, reflexo da Era Belo: pagodeiro adora um cavaquinho porque dá pra tocar algemado…
julho 26, 2009 às 9:30 pm
Branco Leone
Agora vai ser difícil ver alguém tocando cavaquinho e não dar risada. Obrigado.
julho 21, 2009 às 7:11 pm
Eduardo
Branco,
as piadas já foram feitas. Ia contar que tive um ataque desses, mas com violão. Durou mais ou menos o mesmo tempo! Um conselho, para de querer tocar, baixo ou cavaquinho e escreve mais! srsrs
julho 26, 2009 às 9:34 pm
Branco Leone
É que quando eu toco, ninguém vê. Já quando escrevo…
julho 21, 2009 às 9:38 pm
googala
devia se chamar”cavaquelho”, orapois
julho 26, 2009 às 9:33 pm
Branco Leone
Ou Cavaquerda…
julho 21, 2009 às 10:48 pm
Natalia
Gê-zûis! Para tocar cavaquinho você precisa dos brincos de avó repaginados para combinar, se não, nunca que vossa mercê vai comer alguém. Nem a vossa respeitável senhoura vai aguentar te ouvir tocando a entrada de Teenager Wasteland (aquela do Who…) no cavaquinho.
julho 26, 2009 às 9:32 pm
Branco Leone
Brincos? Não piora as coisas, Natália, não piora…
julho 22, 2009 às 4:25 pm
Ulisses Adirt
http://www.idelberavelar.com/archives/2009/07/machado_de_assis_e_a_musica_o_machete.php
Adoro coincidências…
julho 26, 2009 às 9:31 pm
Branco Leone
Vou ler lá pra ver a coincidência. Mas pelo título do post do Idelber, não dá nem pra imaginar qual seria.
julho 26, 2009 às 5:02 am
diogo henriqueS
Cara, trabalho vendendo meus livros na rua desde 2002. São 4 da matina e já ia dormir…
Quero trocar uma idéia contigo sobre Os viralata…
Quero participar…já to ficando meio véio, cansado de oferecer literatura na rua e busco alternativas…
São 4 da matina, tô morrendo de sono…só não queria agora deixar de parabenizar. É dos meus, tem colhões…depois troco uma idéia maneira.
Abçs.
julho 26, 2009 às 9:32 pm
Branco Leone
Quando quiser conversar, é só começar. Abraço.
agosto 12, 2009 às 2:21 pm
Angela Annunciato (Jam)
Branco, querido, você deveria ter feito como eu e apostado no meio termo: entre nanicos e gigantes, comprei uma viola caipira.
(Te aviso quando comprar uma gaita)
Beijos e saudades.