Chamava-se Ceci. Era linda, delicada, tinha longos cabelos lisos, olhos verdes e um rosto muito branco. Eu a via andar pela casa como se a casa lá não estivesse, e penso hoje que não estranharia se, um dia e sem aviso, ela atravessasse uma parede ou brotasse de uma porta fechada. Era como um fantasma, a imagem mais próxima que consigo fazer de um anjo da guarda. Ceci não ria e nunca estava séria: sorria. Nunca a vi em hora que não estivesse sorrindo. Sorria o sorriso dos que entendem. Sentava ao nosso lado e nos assistia como se fôssemos um filme. Não falava conosco, mas seu silêncio não dizia que não merecíamos suas palavras. Ela apenas nos assistia, nós éramos um filme, e era como se nós também não estivéssemos ali.
Quando alguém queria tratá-la com respeito, lograva dispensar o apelido e a chamava de Cecília. Ela não se importava com isso. Sequer tomava conhecimento: era completamente surda.


3 comentários
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maio 30, 2009 às 9:54 pm
rnt
brrrr, ceci me deu arrepiios. :)
maio 31, 2009 às 1:24 pm
Tiago Moralles
Tinha tudo para ser mesmo um fantasma. Mas ser surdo deixou com um toque especial hehe.
Microabraços.
junho 1, 2009 às 9:23 am
googala
essas parentada não se toca…